Governo madeirense inicia processo de reestruturação do Jornal da Madeira

Governo madeirense inicia processo de reestruturação do Jornal da Madeira

 

Lusa/AO Online   Nacional   8 de Mai de 2015, 06:39

O Governo Regional da Madeira decidiu iniciar o processo de reestruturação financeira, empresarial e editorial da Empresa Jornal da Madeira (EJM) com vista à sua privatização, anunciou o secretário dos Assuntos Parlamentares e Europeus.

 

Sérgio Marques, que foi o porta-voz da reunião semanal do executivo madeirense, enunciou alguns dos aspetos relacionados com este processo, contornos esses que foram divulgados hoje por alguns órgãos de comunicação social da Madeira mesmo antes de serem decididos na reunião do Governo Regional, que decorreu sob a presidência de Miguel Albuquerque.

Sérgio Marques referiu que o Governo insular “irá cessar a participação obrigatória dos contribuintes na sustentabilidade financeira do JM”.

Segundo o responsável, este processo permitirá “devolver a uma lógica de mercado concorrencial o pluralismo saudável na comunicação social da região”.

O governante assegurou que o executivo vai procurar “proteger os postos de trabalho”, sendo sua determinação “terminar com a brevidade possível a correção do ‘dumping’ [venda abaixo do preço de custo] na publicidade e implementar um preço de capa, até ao último trimestre deste ano”.

O secretário mencionou que, até este processo estar concluído, o JM “terá de continuar a viver com o resultado do esforço dos contribuintes”, sendo intenção do executivo regional “começar imediatamente a diminuir” os custos públicos.

Sérgio Marques adiantou que o Governo Regional vai nomear novos gestores (Paulo Vieira e António Abreu), que terão como missão “reestruturar totalmente” a empresa, que passa a ter apenas um gerente executivo remunerado, com a missão de executar um contrato de gestão, o qual tem por objetivo “o saneamento financeiro da EJM, a reestruturação empresarial e a implementação de um novo projeto editorial independente”.

O responsável referiu ser “inevitável uma redução acentuada de todos os fatores de custo” do JM, incluindo a carga salarial de quadros, através de rescisões amigáveis dos contratos de trabalho, recordando que o JM tem custos anuais de 3,5 milhões de euros e receitas de pouco mais de um milhão.

Sérgio Marques disse ainda que este processo está a ser “devidamente articulado com a diocese do Funchal [proprietária do título do Jornal da Madeira]”, acrescentando que a igreja também está num “período de reflexão” sobre a participação neste projeto de “um novo JM”.

“Todo este processo de reestruturação tem por grande objetivo cumprir a necessidade de alienarmos, de privatizar” o jornal, fazendo com que o Governo madeirense “retire a participação neste órgão da imprensa escrita” do arquipélago, salientou.

A Região Autónoma da Madeira detém presentemente uma participação de 99,98% no capital da Empresa Jornal da Madeira, que é de 4,3 milhões de euros, sendo o restante da diocese.

Sérgio Marques considerou também ser necessário tornar o JM “mais atrativo”, sustentando que as decisões tomadas devem ser “pautadas pelo sentido de responsabilidade”, não podendo o governo regional “embarcar em aventureirismos”.

“Se puséssemos amanhã preço de capa correríamos risco das receitas publicitárias caírem abruptamente, da tiragem cair para valore irrisórios”, argumentou, opinando que tal “implicaria a passagem de uma certidão de óbito”, condenado este matutino madeirense a uma “morte prematura”.

Sérgio Marques perspetivou que com o processo agora desencadeado, no próximo ano, a empresa estará em condições de cativar eventuais interessados na sua aquisição.

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