Governo dos Açores diz que quotas leiteiras devem ser tratadas "a nível europeu"

Governo dos Açores diz que quotas leiteiras devem ser tratadas "a nível europeu"

 

Lusa/AO Online   Regional   30 de Jul de 2015, 15:02

O presidente do Governo dos Açores afirmou que as consequências da extinção do regime de quotas leiteiras, em abril, devem ser tratadas "preferencialmente a nível europeu", criticando os Estados Membros que procuram nacionalizar as respostas.

 

“Esse é um problema que deve ser tratado a nível europeu. A partir do momento que nacionalizarmos a resposta a este problema faremos depender da capacidade financeira de cada Estado a melhor ou menor resposta ao assunto”, afirmou Vasco Cordeiro, acrescentando que “na origem do problema está, não exclusivamente, a falta de decisão da União Europeia em acautelar devidamente as consequências da extinção do regime de quotas”.

Vasco Cordeiro falava aos jornalistas, em Ponta Delgada, após uma audiência com o presidente da Federação Agrícola dos Açores, onde foram abordados várias questões relativas ao setor do leite, da carne e dos apoios aos transportes.

Para o chefe do executivo açoriano as abordagens em relação ao leite feitas, por exemplo, pelos governos francês e espanhol até podem ir no bom sentido, mas não se pode “passar para as regiões [ou] para os Estados a responsabilidade de lidar com as consequências de uma decisão da UE”.

Além do fim do regime de quotas leiteiras, o chefe do executivo açoriano também destacou o facto do embargo russo aos alimentos europeus perecíveis estar a contribuir para um excesso de leite na União Europeia, fazendo baixar o preço pago à produção.

A Comissão Europeia decidiu hoje prolongar até ao próximo ano medidas de apoio aos agricultores europeus nos setores dos laticínios, frutas e legumes, face ao prolongamento do embargo da Rússia, assim como à diminuição das importações da China.

O executivo comunitário indicou hoje que está a “finalizar os últimos detalhes com vista à adoção” das decisões agora tomadas, esperando que as novas medidas de apoio aos setores das frutas e legumes entrem em vigor já na próxima semana, sendo prolongadas até 30 de junho de 2016, enquanto os apoios aos lacticínios, que terminam apenas a 30 de setembro, deverão entrar em vigor a 01 de outubro.

No setor dos laticínios, as medidas consistem em compra pública (intervenção) ou ajuda a armazenamento privado, sobretudo de manteiga e leite em pó, enquanto os apoios para os principais grupos de frutas e vegetais abrangidos pelo embargo russo consistem sobretudo em retirar do mercado produtos para distribuição a instituições de caridade, assim como outros fins (como alimentação para a animais e compostagem e destilação).

O presidente do Governo Regional dos Açores lamentou, ainda, o facto do comissário europeu da Agricultura, Phil Hogan, não ter visitado ainda o arquipélago, apesar dos “vários convites” feitos.

“Permitiria perceber como numa região ultraperiférica, arquipelágica e insular, o setor do leite tem o peso que tem, até à escala do país. Essa visita permitiria traduzir melhor aquela que é a forma como nós entendemos esse assunto e sobretudo as consequências que essa decisão da UE tem em economias pequenas como a nossa” disse Vasco Cordeiro, acrescentando que os Açores são responsáveis por 30% da produção de leite em Portugal e 50% do queijo.


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