Governo alemão quer candidato de consenso para presidência da República

Governo alemão quer candidato de consenso para presidência da República

 

Lusa/AO Online   Internacional   1 de Jun de 2010, 10:48

O governo alemão de centro direita vai tentar encontrar um candidato para a presidência que reúna um consenso alargado e possa também ser apoiado pela oposição, disse hoje a chanceler Angela Merkel.

O candidato a apresentar para substituir Horst Koehler “deve ter hipóteses de ser aceite por todos”, disse a chanceler à televisão pública ARD.

Koehler demitiu-se na segunda feira, alegando que não houve “o necessário respeito” pelo mais alto cargo do Estado, depois de a oposição o ter criticado por admitir que as missões militares alemãs no estrangeiro possam servir para defender os interesses económicos do país.

A decisão de Koehler, que nunca foi um político profissional, foi considerada “precipitada e extemporânea” não só pela oposição mas por vários políticos da área do governo, e também pelos comentadores dos principais jornais.

O presidente demissionário foi o candidato apresentado em 2004 pelos democratas cristãos e liberais, ainda antes de se aliarem no atual governo.

Depois da sua eleição na Assembleia Federal com os votos da maioria de centro direita, Koehler foi reeleito, em 2009, para um novo mandato de cinco anos.

A sua resignação obrigará as formas políticas do executivo conservador, que continuam a ter maioria absoluta na Assembleia Federal, a encontrar um novo candidato que terá de ser eleito no prazo de 30 dias, como manda a Constituição.

Merkel reúne-se hoje, em Berlim, com os chefes dos outros dois partidos do governo, Guido Westerwelle, dos liberais, e Horst Seehofer, dos democratas cristãos da Baviera, para tentar encontrar um nome presidenciável.

Só depois, conservadores e liberais falarão com os partidos da oposição para tentar encontrar um consenso em redor do seu candidato, foi já anunciado.

O líder dos sociais democratas do SPD, Sigmar Gabriel, propôs que a chanceler fale primeiro com todos os grupos parlamentares, e também com representantes dos governos regionais, sobre uma proposta conjunta.

Começaram já a surgir alguns nomes de potenciais candidatos, sobretudo próximos da CDU (conservadores).

O atual presidente do parlamento federal, Norbert Lammert, é uma das personalidades apontadas.

A lista inclui também o governador da Renânia do Norte Westfália, Juergen Ruettgers, a ministra da Educação, Annete Schavan, e o ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble.

O SPD, por seu turno, pondera avançar de novo com a politóloga Gesine Schwan, que foi derrotada por Koehler em 2004 e 2009 na corrida ao Palácio Bellevue.

O político Gerd Langguth, autor de biografias de Merkel e Koehler, sugeriu o democrata cristão Klaus Toepfer, que foi ministro do Ambiente e mais tarde diretor do programa ambiental das Nações Unidas.

Na imprensa alemã surgem mais nomes de potenciais candidatos e o Leipziger Volkszeitung afirma que uma candidatura da atual ministra do Trabalho, Ursula von der Leyen, uma das figuras mais populares do governo, e pessoa de inteira confiança de Merkel, reúne fortes apoios na CDU.

O mesmo jornal acrescenta que von der Leyen médica e mãe de sete filhos, já fazia parte, em 2004, da lista de potenciais candidatos da chefe do partido à presidência do país.

Além disso, esta candidatura poderia reunir um consenso alargado e atrair votos da oposição na Assembleia Federal, formada pelos 622 deputados ao parlamento federal e por igual número de cidadãos delegados pelos 16 parlamentos regionais.


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