Governo açoriano reitera que setor do leite deve apostar na valorização de produtos

Governo açoriano reitera que setor do leite deve apostar na valorização de produtos

 

Lusa/AO Online   Regional   21 de Abr de 2015, 06:50

O Governo Regional dos Açores destacou que não tem forma para intervir diretamente nos preços do leite e reforçou que o objetivo dos produtores da região deve ser a excelência dos lacticínios.

 

A questão dos preços do leite em São Jorge, onde se produz um queijo de qualidade reconhecida a nível nacional e internacional, foi hoje abordada numa reunião entre a Associação Agrícola da Ilha de São Jorge e o secretário regional da Agricultura e também num encontro entre o Conselho de Ilha de São Jorge e o Governo açoriano.

Agricultores e conselheiros de São Jorge reiteraram que o preço do leite na ilha é baixo, atendendo a que é a matéria-prima de um produto "de excelência" e de origem protegida, não sendo recompensada a sua qualidade.

O secretário regional Neto Viveiros lembrou que o Governo açoriano "não tem qualquer intervenção" nesta questão dos preços, que é "um problema de comercialização”, que “deve ser equacionado” entre quem produz leite, quem o transforma e quem vende os produtos.

Para Neto Viveiros, o sucesso da fileira do leite na região passa exatamente pela "cumplicidade que tem de existir" entre produtores, indústria e distribuição, mas defendeu que "o caminho que os Açores têm de seguir" é o da ilha de São Jorge e do seu queijo, ou seja, apostar "na valorização" dos produtos, na sua diferenciação, de forma a cativar consumidores dispostos a pagar mais caro por produtos de qualidade.

João Sequeira, presidente da associação agrícola, disse aos jornalistas ter consciência de que o Governo Regional não pode resolver o problema dos preços, mas sublinhou que o executivo pode "chamar a atenção" e "colaborar" com as pretensões dos agricultores abordando a questão "nos sítios certos".

Tanto a associação agrícola como o conselho de ilha voltaram também a defender uma diferenciação positiva ao nível da atribuição de subsídios e fundos europeus a São Jorge, atendendo à qualidade do queijo.

Neste caso, Neto Viveiros lembrou que São Jorge, como mais seis ilhas dos Açores, têm uma majoração aos subsídios atribuídos por vaca leiteira, que, no caso jorgense, é de 50 euros.

Além disso, o prémio para a "stocagem", que tem uma dotação global anual de 500 mil euros, é apenas atribuído ao queijo de São Jorge (através da cooperativa Uniqueijo) e à Unileite, em São Miguel, afirmou, acrescentando que, por outro lado, as verbas têm vindo a ser reforçadas.

Na reunião entre executivo e o Conselho de Ilha de São Jorge, os conselheiros pediram também uma colocação "mais estável" de médicos e maior planeamento e previsão na deslocação de especialistas.

O secretário regional da Saúde, Luís Cabral, lembrou que o executivo criou no ano passado um sistema de incentivos para tentar atrair médicos de fora do arquipélago e que vai continuar a apostar nessa via e na "procura ativa" de clínicos, mas referiu que a escassez de profissionais atinge todo o país.

Luís Cabral disse que, no entanto, existe atualmente uma boa perspetiva para responder às necessidades dos Açores dos próximos anos por causa do número atual de internos que estão em formação.

Quanto à deslocação de especialistas, referiu que há uma agenda "pré-definida" neste momento para diversas especialidades, mas reforçou que o importante é as deslocações irem sendo agendadas à medida das necessidades e não com um calendário rígido estabelecido com muita antecedência.

A este propósito, acrescentou que o Governo Regional está a pôr no terreno a telemedicina, uma resposta complementar à deslocação de especialistas.

O presidente do executivo regional, Vasco Cordeiro, referiu, por seu turno, que até 16 de abril houve 421 consultas em São Jorge feitas por especialistas que se deslocaram à ilha e que o Governo Regional pretende contratar mais um médico de medicina geral para a ilha, onde neste momento há oito.

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