Gastão Elias, herói improvável na Taça Davis, sente estar a começar quase do zero

Gastão Elias, herói improvável na Taça Davis, sente estar a começar quase do zero

 

Lusa/AO Online   Outras modalidades   22 de Set de 2015, 08:38

Gastão Elias, o herói improvável da Taça Davis em ténis, confessou à agência Lusa que se sente quase a começar do zero, depois de os maus resultados desta temporada o terem feito amadurecer e repensar o seu jogo.

 

“Às vezes até é bom ter certos ‘baixos’ na carreira para analisar friamente certas coisas e, basicamente, não é começar do zero, mas é como se fosse. Acho que teve a sua parte positiva este ano menos bom. Fez-me focar em outros aspetos do jogo, aos quais, talvez, eu não dava tanta importância nestes últimos anos”, confessou o número dois do ténis nacional.

Falando com Gastão Elias percebe-se que a maturidade exibida no ‘court’ este fim de semana - foi fulcral para garantir a subida de Portugal ao Grupo I da Zona Europa/África da Taça Davis ao ganhar o seu encontro de singulares e ao ser o maestro do encontro de pares, que jogou ao lado de João Sousa – propagou-se ao seu discurso, que continua a ter espaço para o seu desarmante bom humor, mas é notoriamente mais ‘crescido’ e ponderado.

“Aprende-se muito com as derrotas. Não quer dizer que jogava sem fio de jogo, quer dizer que algumas opções que eu tinha na minha cabeça como sendo as certas, não eram assim tanto. Estou a tentar jogar de uma maneira um pouco diferente e com umas opções que, se calhar, há uns meses atrás não tomaria”, explicou.

As mudanças na vida de Elias têm vários nomes e, ainda assim, aquele que repete com mais insistência é o de Rodrigo Vallejo, um treinador dominicano que orientou o japonês Kei Nishikori e que foi “muito importante” na sua carreira durante o período em que viveu na academia de Nick Bollettieri.

“Ajudou-me muito nestes meses a melhorar o meu ténis, não digo em termos de resultados, porque é melhor focar no jogo porque os resultados vão aparecer. Vou começar a viajar mais com o Rodrigo, que é uma pessoa que está muito interessada em ajudar-me e que mantém muito contato com o [treinador] Jaime [Oncins]. O Rodrigo é uma coisa nova na minha carreira e penso que ter esse mais na minha carreira, juntamente com o conhecimento do Jaime, vai ser muito bom para mim”, considerou.

Longe do ‘ranking’ sonhado – ocupa a 182.ª posição da hierarquia ATP -, o tenista de 24 anos continua “muito motivado”: “Sinto que o meu nível de ténis melhorou muito e sinto que os jogos que eu perdi foi nos detalhes – muitos deles, a maioria deles – e isso às vezes também tem a ver com a confiança. Taticamente posso ter jogado errado ou menos bem e contra jogadores do nível a que estou paga-se caro. Apesar de não ter sido uma época boa em termos de resultados, acho que acabo o ano a jogar muito melhor do que quando comecei”.

“O mais importante de tudo é o mental. É tentar oscilar o menos possível mentalmente. Mesmo fazendo tudo certo, não é garantido o sucesso. Continuei sempre mentalmente tranquilo e mantive o foco”, disse.

O mesmo foco que revela quando se escusa a atalhar caminho e perspetivar os objetivos para uma próxima temporada.

“Ainda faltam uns dez torneios nesta temporada. Estou só focado em automatizar as coisas novas que o Rodrigo trouxe para o meu jogo. Confio nele e sei que se seguir as indicações vou ter sucesso. Não tenho resultados em mente”, concluiu.

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