Fundo privado dos EUA financia investigação sobre doença rara na Universidade de Coimbra

Fundo privado dos EUA financia investigação sobre doença rara na Universidade de Coimbra

 

Lusa/AO online   Regional   24 de Nov de 2017, 16:14

Um fundo privado norte-americano vai continuar a financiar a investigação sobre a doença de Machado-Joseph, em curso na Universidade de Coimbra (UC), atribuindo cerca de 85 mil euros nos próximos cinco anos, segundo um protocolo hoje assinado.


O acordo estabelece que o fundo de investigação, batizado com os nomes dos mecenas norte-americanos de ascendência chinesa Richard Chin e LiLy Lock, irá financiar com 20 mil dólares anuais (cerca de 17 mil euros), o trabalho desenvolvido por um grupo de cerca de 20 investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC, liderados pelo docente da faculdade de Farmácia Luís Pereira de Almeida.

Na sessão hoje realizada, Luís Pereira de Almeida afirmou que o objetivo dos investigadores é "encontrar a cura" para a doença de Machado-Joseph - uma neuropatologia rara, de origem genética, hereditária, incurável e fatal, que se caracteriza, entre outros sintomas, pela progressiva perda de controlo muscular e coordenação motora, perturbação da visão, dificuldades na fala e em engolir - e que em Portugal tem uma prevalência maior nos Açores.

A colaboração entre Richard Chin - um engenheiro eletrotécnico e de computadores, especialista e inventor de microprocessadores que sofria da Machado-Joseph e faleceu em outubro - a sua mulher LiLy Lock e o investigador da Universidade de Coimbra remonta a 2010, quando Luís Pereira de Almeida deu uma conferência nos EUA sobre a doença e o trabalho desenvolvido em Coimbra e foi contactado pelos norte-americanos que se disponibilizaram a financiar a investigação, por um primeiro período de cinco anos, agora renovado.

"A nossa equipa trabalha muito, todos os dias, na busca da cura da doença de Machado-Joseph e esperamos poder demonstrar ser merecedores da confiança que está depositada em nós", disse hoje Luís Pereira de Almeida, perante LiLy Lock e o reitor da Universidade de Coimbra João Gabriel Silva.

Em declarações à Lusa, Luís Pereira de Almeida disse que o apoio do fundo privado "tem permitido não só financiar reagentes, como também a participação em congressos e atribuição de bolsas a estudantes e investigadores", entre outras ações.

"Tem sido muito importante, até porque não tem os constrangimentos que normalmente estão associados aos financiamentos formais e estatais, que estão processos muito burocráticos", afirmou.

Sobre a doença de Machado-Joseph, o investigador explicou que tem uma prevalência "baixa", com dois a três casos por 100 mil habitantes.

No entanto, sendo uma doença genética hereditária, que é passada para a descendência, ao ocorrer "numa população mais fechada e isolada, mantém-se e até aumenta se as pessoas tiverem uma fertilidade superior à de outras famílias", o que poderá explicar a prevalência em algumas regiões do país, como os Açores, frisou Luís Pereira de Almeida.

Na sessão de hoje João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra, destacou o financiamento privado à investigação em curso na instituição, alegando que embora seja usual acontecer nos EUA e em parte do Reino Unido, é "raro" no resto da Europa.

"Aqui, na nossa cultura, as pessoas pensam que essa é uma função do Estado, o que só aumenta a nossa responsabilidade", afirmou o reitor.

Após a assinatura do acordo, a Universidade de Coimbra homenageou os mecenas Richard Chin e Lily Rock, atribuindo o seu nome a um laboratório do Centro de Neurociências e Biologia Celular.



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