Fotógrafo português com exposição nos EUA sobre pescadores


 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   27 de Fev de 2017, 17:42

O premiado fotógrafo português Peter Pereira tem uma exposição sobre a vida da frente marítima de New Bedford, com fotografias feitas nos últimos 17 anos, patente até 02 de abril no centro cultural das pescas local.

As "fotografias são uma amostra do trabalho que tenho feito a documentar a nossa comunidade pescatória nos últimos 17 anos. Cada oportunidade que tenho, vou para frente de mar com uma câmara, na esperança de chamar a atenção para aqueles que dedicaram a sua vida ao mar”, disse Peter Pereira à agência Lusa.

O fotógrafo foi reconhecido em fevereiro com o prémio Fotógrafo do Ano da Nova Inglaterra, pela National Press Photographers Association, uma organização que representa todos os fotojornalistas do país, pela sétima vez.

Nesta exposição, diz que tentou “tocar em todos os aspetos da comunidade de pescadores, desde os que vão para o mar até aos negócios em terra que refletem o enorme impacto que esta atividade tem na comunidade.”

Peter, que está associado ao jornal The Standard Times de Massachusetts, já teve o seu trabalho publicado em meios como o The New York Times, o Los Angeles Times ou o Washington Post.

“Como fotojornalista, sinto que é o meu dever criar um registo do nosso tempo, um corpo de trabalho que impeça que aqueles que sacrificaram tanto sejam esquecidos”, explica.

O fotógrafo diz que a sua vida esteve sempre ligada ao mar e que todos os homens da sua família trabalharam em barcos, desde capitães a ajudantes.

“Quando tinha cinco anos, já tinha sido apresentado à maravilha do oceano, cruzando o equador duas vezes quando o meu pai me levou a mim e à minha mãe desde Portugal até à Africa do Sul no navio em que trabalhava”, lembra.

O fotógrafo nasceu na Figueira da Foz e foi ainda em Portugal que começou a interessar-se por fotografia.

“Era um menino e lembro-me de uns primos que estavam imigrados nos EUA nos visitarem. Levámo-los a visitar o castelo de Montemor-o-Velho e carreguei a câmera do meu primo. Penso que foi nesse momento que me apaixonei pela ideia de tirar uma foto e ela durar parar sempre”, diz.

Peter veio com a família para os EUA quando tinha nove anos. Instalou-se na cidade de New Bedford, onde existe uma grande comunidade açoriana, e licenciou-se em engenharia informática na Universidade de Massachusetts-Dartmouth.

No final do curso, abriu uma empresa de serviços informáticos, mas seis anos depois desistiu dessa profissão.

Conseguiu o seu primeiro trabalho pago quando numa manhã, acordou cedo e foi até ao porto de New Bedford, onde viu uma embarcação antiga atracar.

Por impulso, fotografou o barco, pediu para subir a bordo e tirar mais umas fotos, dizendo que trabalhava para um jornal.

Nessa altura, descobriu que se tratava do navio português Gazela. No final, um jornal local comprou o trabalho.

Peter descobriu dias depois que o Gazela tinha salvo a vida dos seus dois avôs. Os dois homens eram melhores amigos e trabalhavam num bacalhoeiro quando a embarcação afundou e a tripulação foi resgatada pelo Gazela.

“O Gazela não me deu apenas vida, porque os meus pais ainda não eram casados quando o naufrágio aconteceu, mas deu-me o começo da minha carreira como fotojornalista. Fico emocionado apenas de pensar nisto”, lembra Peter.

Depois deste trabalho, o fotógrafo começou a ter trabalho de forma regular.

Nos últimos 19 anos, além dos prémios da National Press Photographers Association, recebeu a distinção de fotógrafo do ano da New England Newspaper & Press Association por sete vezes e um prémio de excelência dos prémios China International Press Photo.

No campo da fotografia, diz que o fotojornalismo foi sempre a única opção para si.

“Ao contrario de outros tipos de fotografia, tem um impacto direto na forma como olhamos o mundo. É uma linguagem universal, capaz de atravessar fronteiras. Não tenho dúvidas de que o fotojornalismo consegue mudar o mundo”, diz.

Representado pela agência portuguesa “4SEE”, Peter diz que continua ligado ao país que deixou há quase 40 anos.

“Vivi nos EUA a maior parte da minha vida, mas gosto da ligação que esta agência me dá ao meu pais. Tenho orgulho de ser português, em promover o país o quanto posso e vou sempre considerar-me português”, diz.

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