Falta de desejo sexual nas mulheres pode aumentar com a crise


 

Lusa/AO online   Nacional   8 de Nov de 2012, 14:32

A falta de desejo sexual e a inexistência de orgasmo são os dois principais tipos de disfunção sexual nas mulheres e que podem amplificar-se na atual crise económica, levando a mais divórcios, avisou esta quinta-feira um especialista.

“Nenhuma mulher vai morrer, a não ser que se suicide, por ter problemas de disfunção sexual. Mas pode levar ao divórcio, pode levar a conflitos conjugais, conflitos consigo própria”, considerou o diretor do Serviço de Urologia do Hospital da Lapa (Porto), Mário Reis, em entrevista telefónica à Lusa, reconhecendo que a crise pode aumentar a depressão e a ansiedade, que são fatores de inibição de desejo sexual.

O médico crê que a crise levará a um aumento da disfunção sexual nas mulheres, em Portugal.

"Se um homem não tiver ordenado, não tiver casa, também não tem disponibilidade para ter sexo. E na mulher é a mesma coisa", constatou, sublinhando que a Medicina de hoje pode "fazer muito" para melhorar as disfunções sexuais, melhorando, por exemplo, o estado hormonal.

"Não temos um viagra, como temos para o homem, isso não existe, mas podemos recorrer a muitas coisas para melhorar a situação", defendeu.

À margem das “IX Jornadas de Urologia do Norte em Medicina Familiar”, que estão a decorrer no Porto, até sexta-feira, Mário Cruz referiu que, ao nível mundial, os quatro principais tipos de disfunção sexual de que as mulheres padecem são a diminuição do desejo sexual (32 %), inexistência de orgasmo (28 %), alteração da excitação (27 %) e dor durante o sexo (21 %), refere o urologista.

“A disfunção sexual é maior na mulher do que no homem - e no homem já é alta. Só que por motivos socioeconómicos, de educação, de vergonha, a mulher não se queixa muito e, por isso, é preciso que se fale, tal e qual como aconteceu com o homem quando se começou a falar do viagra”, defendeu o médico urologista.

A crise económica, o uso de medicamentos, inflamações ginecológicas, problemas psicológicos e de ansiedade, desequilíbrios hormonais, traumas sexuais, falta de experiência sexual e de conhecimento do corpo ou problemas afetivos ou de natureza relacional são as diversas causas para uma mulher ter uma, ou várias, disfunções sexuais.

Mário Reis acrescentou que uma mulher, entre os 18 e os 59 anos, vive ao longo da sua vida um problema sexual que se agrava com o avançar da idade e que cerca de "cerca de 90 % das mulheres em pós-menopausa sofrem de problemas sexuais”.

Nas IX Jornadas de Urologia, cuja organização está a cargo do Serviço de Urologia do Hospital da Lapa, está previsto debater-se, para além da disfunção sexual no homem e na mulher, o carcinoma da próstata, a gravidez e a sexualidade.


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