Exame de Cambridge suspenso, por ser incompatível com novo modelo de avaliação


 

Lusa/AO Online   Economia   8 de Jan de 2016, 18:39

O exame de inglês do 9.º ano, da responsabilidade da Universidade de Cambridge, "está suspenso, dada a incompatibilidade dos termos de aplicação com o modelo de aferição e avaliação agora proposto", esclareceu hoje o Ministério da Educação.

Questionado pela Lusa se este exame externo poderia manter-se no calendário de exames do 9.º ano, mesmo que perdendo o caráter de obrigatoriedade, a tutela esclareceu que isso não vai acontecer, ficando suspensa a aplicação do Preliminary English Test (PET).

A nota do PET deveria este ano letivo, caso o exame ainda se realizasse, contar para a nota final de inglês dos alunos do 9.º ano, tal como anunciou o anterior ministro da Educação, Nuno Crato, em julho, quando foram divulgados os resultados dos alunos na prova no ano de 2014-2015.

O PET foi aplicado pela primeira vez no último ano letivo, substituindo o Key For Schools, o modelo de prova de nível mais elementar usado anteriormente.

Com o PET pretendia avaliar-se quatro áreas de domínio da língua: compreensão da leitura (reading), expressão escrita (writing), compreensão oral (listening) e produção oral (speaking).

A Lusa questionou ainda o Ministério da Educação sobre se a tutela vai divulgar os custos envolvidos na aplicação deste exame nas escolas, tal como foi pedido num projeto de resolução do Bloco de Esquerda entregue na Assembleia da República a 05 de janeiro, mas o gabinete do ministro Tiago Brandão Rodrigues não deu resposta.

O exame de Cambridge quando foi introduzido nas escolas foi anunciado como uma prova sem qualquer custo para o Estado, uma vez que seria financiado pela emissão paga de certificados de proficiência linguística que os alunos viessem a solicitar e, sempre que isso não foi possível, por um grupo de parceiros.

Pela primeira vez, em 2014-2015, o exame teve que ser parcialmente pago, uma vez que a receita obtida com o pedido de certificados por parte dos alunos não foi suficiente para pagar os custos da prova, revelou o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) em julho.

As federações sindicais da educação contestaram a forma como foi introduzida este exame externo nas escolas, considerando que desrespeitava a formação de base dos professores de inglês, ao não lhes permitir corrigir a prova sem que fizessem uma formação que os certificasse para o efeito, algo que os professores de inglês consideraram “inadmissível”.

Essa situação motivou o agendamento de uma greve a todo o serviço à prova que, inicialmente, contou com o apoio da Fenprof e da FNE.


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