Ex-presidente Jorge Tomé diz que o que se passou foi uma "liquidação forçada"

Ex-presidente Jorge Tomé diz que o que se passou foi uma "liquidação forçada"

 

Lusa/AO Online   Economia   26 de Jan de 2016, 09:46

O ex-presidente executivo do Banif Jorge Tomé disse hoje que o que se passou com o banco foi uma "liquidação forçada", considerando que a proposta do Santander Totta de compra dos ativos do banco poderia ter sido melhor.

 

"O que aconteceu a 19 e 20 de dezembro não foi a venda do Banif, foi a liquidação forçada do Banif", disse hoje Jorge Tomé, numa conferência em Lisboa sobre o sistema financeiro português.

Aquele que foi o responsável pela gestão do Banif nos últimos anos, até à resolução do banco no final de 2015, fez hoje muitas críticas ao processo de resolução, nomeadamente ao papel da Direção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia e do Banco de Portugal.

Jorge Tomé afirmou ainda que a proposta que o Santander Totta fez pelo Banif no processo de venda voluntária, antes da resolução, era "bastante melhor do que a que foi encontrada" e acordada após o resgate.

"Já que queriam que fosse o Santander por que não melhoraram a proposta do Santander", questionou.

Jorge Tomé mostrou ainda dúvidas sobre os ativos do Banif que passaram para o Santander Totta, afirmando que é "opaca" a informação sobre os ativos e passivos transferidos, assim como os preços a que foram avaliados nessa passagem.

A 20 de dezembro, domingo ao final da noite, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo ‘tóxicos' - para a nova sociedade veículo Oitante.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, a que se somam duas garantias bancárias do Estado no total de 746 milhões de euros.

Com a resolução, o Estado perde ainda os 825 milhões de euros da injeção de capital que fez no final de 2012 no banco. Então, o Estado investiu 700 milhões em ações e 400 milhões de euros em dívida híbrida – ‘CoCo bonds’ - dos quais o Banif só devolveu 275 milhões.

 


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