Ex-presidente da SATA reitera críticas a nova frota e diz que saiu por motivos pessoais

Ex-presidente da SATA reitera críticas a nova frota e diz que saiu por motivos pessoais

 

Lusa/AO Online   Regional   16 de Jul de 2015, 13:36

O ex-presidente da SATA, António Cansado, voltou esta quinta-feira a considerar "um profundo disparate" a renovação da frota de longo curso da companhia aérea e assegurou que abandonou a empresa, em 2007, por motivos pessoais.

 

A comissão de inquérito sobre a situação financeira da SATA criada no parlamento dos Açores concluiu hoje a audição de António Cansado que havia sido interrompida a 13 de maio, tendo as perguntas dos deputados e as respostas do antigo administrador da empresa sido sobretudo focadas na renovação, este ano, da frota de longo curso.

António Cansado reiterou aquilo que havia dito a 13 de maio e considerou um "profundo disparate" a opção da SATA, confirmada no mês passado, de passar a usar aviões A330, ilustrando com a imagem de uma pessoa que está no fundo de uma cova e a quem atiram "uma pá para cavar ainda mais fundo".

Para o antigo presidente do conselho de administração da empresa, que em 2014 teve prejuízos de 35 milhões de euros, nenhum dos argumentos entretanto apresentados pela SATA para justificar a opção pelos A330 tem sentido. No seu entender, a companhia poderia continuar a operar com os A310, se fizesse uma renovação das aeronaves.

António Cansado voltou também a assegurar que, apesar de o A310 ter deixado de ser fabricado, continua a haver peças e equipamentos disponíveis no mercado para a sua manutenção, o que custaria menos à empresa do que os A330, cujos custos de manutenção, nos próximos anos, não estão totalmente refletidos, disse, no plano estratégico da companhia até 2020.

O antigo responsável insistiu nesta opinião mesmo depois de o PS o ter confrontado com diversos estudos de entidades externas ou elaborados pela própria SATA que concluíam, de forma unânime, que a frota tinha de ser renovada até este ano, embora divergissem em relação aos novos aviões que deviam ser escolhidos.

O PSD quis também saber que motivos levaram António Cansado a abandonar a SATA em 2007, confrontando-o com "os rumores" da altura que atribuíam essa saída da empresa a "eventuais ingerências" do Governo Regional dos Açores na escolha da nova frota para as ligações inter-ilhas do arquipélago.

Na resposta que deu hoje ao PSD, o ex-presidente da SATA afirmou que as razões da sua saída não tiveram "nada a ver com isso", sublinhando que na altura a administração estava ainda na fase de "recolher dados" para tomar uma decisão sobre a frota inter-ilhas, que ainda "estava longe de ser tomada".

"Foram questões pessoais", acabou por dizer ao PSD, perante a insistência dos deputados.

A opção para os voos inter-ilhas acabou por ser por aviões Dash, que António Cansado também criticou na audição de maio passado, repetindo hoje que teria sido mais vantajoso escolher ATR, que são mais pequenos e mais adequados às características do mercado interno dos Açores.

A este propósito, sublinhou que o aumento da ocupação dos voos no segundo trimestre deste ano se fez, precisamente, à custa dos aviões mais pequenos da SATA Air Açores, aqueles que nem sequer são propriedade da SATA, mas alugados.

Nesta audição, António Cansado fez também algumas considerações sobre o novo modelo de ligações aéreas entre o continente e os Açores, em vigor desde abril, altura em que foram liberalizadas algumas rotas, entraram 'low cost' no arquipélago e a TAP deixou de voar para o Faial e o Pico.

Na sua opinião, a TAP abandonou estas ilhas porque "o novo modelo não é bom negócio" e "vai dar prejuízo" nas rotas do Pico e do Faial, que a SATA passou a assegurar.

A este propósito, referiu que o resultado da companhia no primeiro trimestre "não é bom", apesar das maiores taxas de ocupação que conseguiu.


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