Estudo sobre mercado livreiro prejudicado por fraca participação

Estudo sobre mercado livreiro prejudicado por fraca participação

 

Lusa/AO online   Nacional   7 de Nov de 2012, 08:31

O estudo sobre o mercado do livro em Portugal, que traça um perfil das editoras e empresas de comércio, foi feito com base num inquérito enviado aos agentes do setor, mas os dados saem prejudicados pela fraca participação.

O lamento foi feito pelo investigador do Observatório das Atividades Culturais (OAC), José Soares das Neves, que coordenou o estudo.

Para esta investigação foram enviados 908 inquéritos a empresas portuguesas na área da edição e da comercialização de livros.

Apenas foram validadas 62 respostas, uma taxa muito baixa, como referiu o investigador, e nem todas as empresas contactadas responderam a todas as perguntas.

Muitos dos dados apurados ficaram ainda prejudicados, "e claramente distorcidos", pelo facto de, dos principais grupos editoriais - Porto Editora, Leya e Bertrand -, apenas o primeiro ter respondido ao inquérito.

Com base nessas respostas validadas, o estudo revela que muitas das editoras foram criadas no novo século, "das muito pequenas com uma pessoa ao serviço, às muito grandes (à escala do sector do livro em Portugal, como é bom de ver) com mais de 100 pessoas ao serviço".

Quanto a recursos humanos, o número de pessoas ao serviço das empresas chegava, em 2007, a 1.169 trabalhadores.

Sobre receitas provenientes da gestão dos direitos de autor, apenas oito empresas responderam, com um valor global a atingir os 1,2 milhões de euros (ME).

Em 2007 existiam 30.750 títulos disponíveis para venda, e os exemplares produzidos totalizaram 23 milhões, o que significa uma tiragem média de 5.860 exemplares, refere o estudo.

O catálogo das editoras é maioritariamente composto por autores portugueses (57 por cento), sendo que os países lusófonos não representam mais do que dois por cento, e predominam as ciências sociais e humanas, a ficção e a literatura infanto-juvenil.

Os terceiro e quarto trimestres, que coincidem com a abertura do ano escolar e com o natal, são os que registam maior registo de edições.

Apenas dez editoras afirmaram ter tido atividade no mercado externo. No seu conjunto, sete venderam 5,3 milhões de exemplares, correspondentes a 9.583 títulos e a um volume de vendas de quase nove ME.

Moçambique e Angola representaram 86 por cento do volume de vendas.

Quanto à comercialização, grande parte dos estabelecimentos abriu ao público entre 2000 e 2007, estão localizados nos centros urbanos e, em muitos casos, em centros comerciais.

Em 57 respostas válidas, o volume de negócios das livrarias ascendeu em 2007 a 15,5 ME.

Literatura (90 por cento), infanto-juvenil e arte (ambos com 87 por cento) são os géneros editoriais mais presentes nas livrarias. Os menos representados, mas ainda assim com percentagens sempre acima dos 50 por cento, são o livro escolar e a banda desenhada.

Em 2007 apurou-se um total de 211 pessoas para 60 estabelecimentos, a maioria a trabalharem no atendimento ao público.


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