Estrangulamento financeiro da empresa açoriana Sinaga pode provocar 16 ME de prejuízos

Estrangulamento financeiro da empresa açoriana Sinaga pode provocar 16 ME de prejuízos

 

Lusa/AO Online   Regional   27 de Abr de 2016, 11:08

A fábrica de açúcar dos Açores Sinaga necessita de uma injeção de três milhões de euros para resolver problemas de tesouraria que poderão gerar prejuízos de 16 milhões de euros nos próximos três anos.

 

Os números constam de um plano apresentado à administração daquela empresa de capitais públicos pelo novo administrador da Sinaga, Paulo Neves, e ao qual a agência Lusa teve hoje acesso.

O documento revela que a Sinaga está numa situação de "total estrangulamento de tesouraria" e que necessita de tomar medidas para evitar atingir uma "situação descontrolada".

O novo administrador sugere que, para a resolução imediata do "défice de tesouraria" do exercício deste ano, que terá um prejuízo estimado de três milhões de euros, seja concedido um empréstimo pelo acionista (região autónoma) ou um aval para que a Sinaga possa negociar um empréstimo bancário.

O plano apresentado por Paulo Neves adianta, no entanto, que são necessárias outras medidas complementares que possam possibilitar à empresa a "saída da crise", criando liquidez e reduzindo os níveis de endividamento.

Nesse sentido, o administrador propõe a venda de património da Sinaga que não esteja afeto à atividade da empresa, como é o caso da Fábrica de Álcool e da Casa da Balança, ambas situadas na ilha de São Miguel, a maior dos Açores.

O problema é que ambos os imóveis já estão hipotecados, pelo que Paulo Neves sugere a transferência das hipotecas para o imóvel da rua de Lisboa, onde fica a sede da unidade fabril.

O administrador entende que é necessário também iniciar estudos sobre o impacto económico de dois cenários possíveis, o encerramento da fábrica e o abandono da cultura de beterraba sacarina; ou a construção de uma nova fábrica, com capacidade adequada à realidade da região.

Contudo, Paulo Neves considera esta última hipótese "difícil" de concretizar, dada a "pequena dimensão" do mercado local.

O administrador adianta que, se não forem tomadas medidas concretas por parte do Governo Regional, a Sinaga vai continuar a acumular prejuízos, que, só nos próximos três anos, poderão atingir os 16 milhões de euros.

A fábrica da Sinaga produz açúcar a partir da beterraba sacarina e, complementarmente, de ramas de açúcar (açúcar bruto) e tem uma capacidade de laboração de 1.000 toneladas de beterraba por cada 24 horas.

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