Especialista defende mecanismo na UE para resposta concertada à situação dos imigrantes

Especialista defende mecanismo na UE para resposta concertada à situação dos imigrantes

 

LUSA/AO Online   Internacional   9 de Ago de 2015, 14:16

O investigador e quadro da Organização Internacional para as Migrações Luís Carrasquinho defende que a União Europeia existem posições diferenciadas sobre a forma de encarar os fluxos migratórios e para haver uma resposta concertada nesta questão.

“Dentro do espaço da União Europeia, há diferenças ideológicas no que diz respeito a forma em como se encara o outro, como se encara a própria migração. Para poder haver uma resposta concertada nesta situação, tem de haver um mecanismo de solidariedade que funcione”, disse à Lusa o funcionário da OIM/Portugal. Para o responsável, “sem existir um mecanismo de solidariedade dentro do espaço da União Europeia, não será possível dar esta resposta concreta e sustentada para esta situação. Tudo isso encerra uma grande complexidade”. “É lamentável que haja posições extremas (contrárias ao acolhimento dos migrantes), mas tem que haver um esforço dos vários intervenientes, não só dos países de acolhimento, mas dos países de trânsito, os países de origem, as organizações internacionais, as organizações não-governamentais e outros mecanismos, para que se juntem e unam forças para dar respostas efetivas à questão migratória”, afirmou o funcionário da OIM. Os dados da Agência de Controlo das Fronteiras Externas da União Europeia (Frontex) indicam que mais de 280 mil migrantes passaram as fronteiras do território europeu de forma ilegal em 2014. De acordo Frontex, deste total de entradas de migrantes ilegais, 220 mil foram feitas através das travessias pelo Mar Mediterrâneo, sobretudo por pessoas da África e da Ásia. Luís Carrasquinho disse que, segundo as últimas informações da OIM, mais de 2.000 pessoas já morreram no Mediterrâneo em 2015. Para Luís Carrasquinho, “o importante é não só trabalhar a perspetiva da União Europeia, de quem recebe, mas também perceber o que está na base destes problemas migratórios. É preciso trabalhar com os países de trânsito, de acolhimento e de origem para tentar amenizar esta situação”. “Dentro deste fenómeno, é possível encontrar respostas e soluções, como perceber quais são os canais migratórios e promover uma migração segura”, avaliou. A OIM acredita que “é preciso dar apoio de emergência, proteção aos migrantes, integrá-los nas sociedades, prevenir a migração através de canais inseguros, através tráfico de pessoas, e levar à justiça os traficantes”. “É verdade que a reposta (da União Europeia) tem sido lenta, mas tem havido alguma resposta, alguma tentativa de conseguir resolver esta situação, de incluir nesta lógica respostas que sejam sustentadas ao nível da procura, ao nível de salvar vidas”, disse Carrasquinho, advertindo que as soluções sustentadas para a questão serão atingidas a longo prazo. “Nós vemos esta questão com preocupação, porque o que está em jogo, em muitas circunstâncias, são vidas de pessoas que se podem perder de forma trágica. Isso é uma preocupação que temos, enquanto instituição de um país de direito e de uma sociedade democrática como é a nossa”, disse o diretor nacional adjunto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), José van der Kellen. Segundo Van der Kellen, o SEF tem “colaborado em muitas das missões com a Frontex”. “Nós temos, permanentemente, pessoas nossas a colaborar em equipas mistas destes países do sul da Europa, a trabalhar no Mediterrâneo, ajudar nas entrevistas, a estabelecer padrões, perceber as perspetivas de muitos destes fluxos migratórios”, declarou. “É neste âmbito que temos trabalhado com a Frontex, para que, para além daquilo que é uma informação estatística do fenómeno, tenhamos uma perceção qualitativa daquilo que se pode absorver da informação que nos é dada pelos próprios migrantes”, acrescentou o diretor nacional adjunto do SEF. Van der Kellen, acredita que não há soluções fáceis para a situação atual da migração. “Eu diria que temos de ter sempre uma perspetiva humanitária, tentar ajudar de alguma forma, tratar as pessoas de forma digna, mas ter ainda a perceção que temos que ser muitos decididos e rigorosos naquilo que é o combate ao tráfico de pessoas que se faz de forma subjacente a este fenómeno e a estes desequilíbrios que estão a ocorrer”, avaliou. “Nós, enquanto instituição, trabalhamos no âmbito daquilo que são as diretrizes europeias, a forma como temos de colaborar, em termos de entidades internacionais, com a Frontex, com a Europol. Trabalhamos de forma integrada dentro do espaço europeu. Só por nós, não temos forma resolver a situação, então temos de tentar resolver a situação dentro do espaço da União Europeia”, acrescentou José van der Kellen.


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