Especialista defende em comissão açoriana alternativas à avaliação visual da agitação marítima

Especialista defende em comissão açoriana alternativas à avaliação visual da agitação marítima

 

Lusa/AO Online   Regional   7 de Out de 2015, 19:10

O professor universitário e especialista em obras portuárias João Alfredo Santos afirmou hoje, na comissão açoriana sobre transportes marítimos, que "a avaliação visual da agitação marítima é sempre subjetiva", defendendo a existência de outros mecanismos de registo.

 

João Alfredo Santos foi ouvido à tarde na comissão parlamentar de inquérito ao transporte marítimo de passageiros e infraestruturas portuárias, que decorreu em Ponta Delgada, nos Açores.

O especialista é professor no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), onde leciona as disciplinas de Hidráulica II e Obras marítimas e portuárias, e responsável pelo relatório encomendado pela empresa pública Portos dos Açores após um acidente mortal ocorrido no porto de São Roque do Pico.

A comissão parlamentar de inquérito foi constituída para avaliar os investimentos nos portos do Faial, Pico e São Jorge, a compra de barcos novos para o transporte de passageiros entre estas ilhas, além de averiguar responsabilidades políticas relacionadas com dois acidentes.

Em novembro de 2014, um homem morreu na ilha do Pico a bordo de um barco de transporte de passageiros da empresa pública regional Transmaçor depois de ter sido atingido por um cabeço de amarração, que rebentou quando o barco em que seguia a vítima tentava atracar no porto de São Roque.

Dias antes, outros dois cabeços de amarração haviam rebentado no porto da Madalena, igualmente no Pico, quando um barco da Transmaçor tentava atracar.

Aos deputados, o especialista disse que tanto quanto conhece existe no porto de Lisboa “um dispositivo que mede a agitação marítima à entrada” e acrescentou que “os portos em Portugal continental são mais suaves em termos de agitação marítima do que nos Açores”.

“O que percebo da região dos Açores em termos agitação marítima é que tem o azar ou a sorte de estar no meio do Atlântico, onde passam temporais. Tem o problema da própria génese vulcânica das ilhas, sem grande plataforma. Conseguir bons abrigos obrigaria a construir grandes quebra-mares. As soluções que foram adotadas procuram reduzir a agitação marítima sem chegar a custos muito elevados”, afirmou o professor universitário.

Segundo João Alfredo Santos, foram feitas duas versões do relatório, a primeira enviada em janeiro e a segunda em final de fevereiro, dado que foi identificado um erro na utilização do modelo numérico de análise na fase inicial.

“Os resultados no primeiro relatório eram exagerados. No segundo relatório os resultados obtidos eram mais coerentes. De qualquer modo, existe sempre uma dúvida quanto aos resultados porque o modelo chega a valores elevados nos cabos de amarração”, disse.

“O acidente aconteceu com o navio em manobras. Com a informação disponibilizada pela Portos dos Açores tentou-se modelar o comportamento do navio amarrado com dois cabos e ondas irregulares”, referiu João Alfredo Santos, alegando não conseguir “pôr num modelo numérico informação de um observador humano” e que o que interessa para realizar o estudo é a altura da onda.

O objetivo do relatório encomendado era identificar causas para a ocorrência do acidente mortal. Contudo, João Alfredo Santos explicou que o que é capaz de fazer “é simular o comportamento do navio amarrado e foi isso que foi feito”.

Para avaliar o estado dos cabeços, sublinhou, são necessários dados mais detalhados.

“Tomei como boa a informação que me foi dada [pela Portos dos Açores]. Essa informação pode ou não ser a correta. Se não for a correta vai refletir-se na qualidade dos resultados do relatório. Se é boa ou má não sou capaz de dizer”, sustentou o especialista.



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