Equipa de intervenção social luta para garantir a prostitutas acesso a serviços de saúde


 

AO/Lusa   Nacional   13 de Nov de 2016, 13:16

A maioria das prostitutas acompanhadas pela equipa de intervenção social 'Ergue-te', no distrito de Coimbra, são imigrantes, muitas delas em situação ilegal, e a necessitar de acompanhamento médico, que é caro e de difícil acesso.

 

“Setenta por cento das nossas utentes são imigrantes, uma grande fatia destas estão em situação irregular no país, e é muito difícil terem acesso a cuidados básicos de saúde regulares, até porque têm de pagar todos os atos médicos, que são bastante caros”, disse à agência Lusa a diretora técnica da ‘Ergue-te’, Marta Neves.

Para superar estas dificuldades, a equipa tem estabelecido protocolos de parceria com centros de saúde e o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra e “a integração tem estado a decorrer com bastante sucesso”.

“O que acontece é que há imensos atos médicos que não conseguimos fazer e não conseguimos encontrar financiamento”, disse Marta Neves, dando como exemplo as análises clínicas e as próteses dentárias.

“Por umas simples análises têm de pagar entre 150 a 200 euros, uma vez por ano”, elucidou.

Mas são exames muito importantes, tendo em conta o risco muito elevado de saúde e de saúde pública desta população: há situações de “VIH, de infeções sexualmente transmissíveis (IST), pneumonia e tuberculose, que temos tido vários casos”.

Há também muitas mulheres com problemas de saúde oral. Para atender a estes casos, a ‘Ergue-te’ estabeleceu parcerias com clínicas e o Bloco de Celas de Medicina Dentária.

“Os tratamentos estão a ser feitos, mas depois não temos possibilidade de comparticipar as próteses dentárias”, lamentou.

Para conseguir o financiamento para as análises clínicas e as próteses dentárias, a equipa da Fundação Madre Sacramento das Irmãs Adoradoras candidatou-se ao prémio BPI Solidário e foi distinguida.

“É fantástico porque são cerca de 31 mil euros, divididos por três anos, e vai ao encontro desta necessidade muito concreta”, disse Marta Neves.

A responsável sublinhou que o projeto tem um protocolo de colaboração com a Segurança Social, que financia 60% das atividades, sendo as restantes apoiadas pelos prémios, que a equipa vai arredondando.

“Por mais que haja criatividade, parceiros, vontades e sinergias na comunidade, há situações muito concretas” às quais a equipa não consegue fazer face.

Por ano, a equipa acompanha cerca de 300 pessoas. “Se for possível apoiar 30 mulheres com análises clínicas e dez com próteses dentárias, já e muito bom”.

“Temos de ir com calma, porque há muitas desistências”, as pessoas circulam muito e “há muitas situações associadas ao tráfico” de seres humanos, explicou Marta Neves.

A ideia é começar com um projeto-piloto junto destas mulheres e posteriormente alargá-lo a toda a população que a equipa acompanha no distrito de Coimbra.

A ‘Ergue-te’ foi criada em dezembro de 2009, com a missão de promover a dignificação e a inserção social e laboral da mulher em contexto de prostituição, promovendo um novo projeto de vida.

Falando sobre o projeto, Marta Neves disse que “são mais as histórias difíceis do que as histórias de sucesso”.

“As situações mais complicadas são as mortes”, disse a psicóloga, contando que “várias pessoas” que acompanhou “muito proximamente, faleceram em situações horrorosas”.

É “muito complicado” lidar com estas situações. Por isso, “entendemos isto não como um trabalho, mas como uma missão de vida”.


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