Enfermeiros protestam no hospital de Ponta Delgada

Enfermeiros protestam no hospital de Ponta Delgada

 

Lusa/AO online   Regional   11 de Set de 2017, 11:10

Cerca de 300 enfermeiros do hospital e centro saúde de Ponta Delgada concentraram-se, empunhando cartazes e usando t-shirts negras, queixando-se de estarem a ser discriminados nas suas carreiras.


Num dia aparentemente normal no hospital do Divino Espírito Santo, Natacha Gomes, da organização do movimento, manifestava satisfação pela adesão dos enfermeiros à concentração, uma vez que todos que optaram por se concentrarem "foram ameaçados com faltas injustificadas e processos disciplinares".

"Mesmo assim as pessoas decidiriam arriscar e manifestar-se como forma de protesto, tal como aconteceu em todo o país", declarou aos jornalistas a porta-voz dos enfermeiros, que considerou ser esta uma "grande prova do movimento" e do "sentimento de revolta que reina, neste momento, na classe".

Os enfermeiros iniciaram hoje uma greve de cinco dias contra a recusa do Ministério da Saúde em aceitar a proposta de atualização gradual dos salários e de integração da categoria de especialista na carreira.

Natacha Gomes, que exerce a profissão no hospital de Ponta Delgada, afirmou que há enfermeiros com mais de 10 anos que "ganham exatamente a mesma coisa que colegas que acabam de sair da universidade", tendo exemplificado que trabalha como enfermeira especialista há 13 anos e aufere o mesmo rendimento do que um colega.

Neste momento existem 530 enfermeiros no hospital de Ponta Delgada e cerca de 150 no centro de saúde.

A porta-voz, que salvaguardou que os cuidados mínimos estão salvaguardados, indicou que ainda na está na posse dos valores do turno da manhã, mas a "adesão foi a 100% em vários serviços do turno da noite", tendo exemplificado com o Centro de Saúde da Povoação, na ilha de São Miguel, bloco de partos, serviços de medicina 1, 2 e 3 do hospital de Ponta Delgada.

"Os serviços foram todos contactados e, dos 21 do hospital de Ponta Delgada, apenas seis estão renitentes em aderir a este protesto", disse.

Em toda a região, o Centro de Saúde e Internamento das Velas de São Jorge registou uma adesão de 100%, tendo-se verificado o mesmo valor no serviço de pediatria do hospital de Angra do Heroísmo.

O enfermeiro generalista Micael Passos, de 37 anos, do Centro de Saúde de Ponta Delgada, afirmou, por seu turno, à agência Lusa, que optou por aderir à concentração por se está a "lutar pelos direitos da classe", uma vez que "retiram a progressão na carreira desde 2009" e consequente reconhecimento de categorias, com implicações salariais.

Já a enfermeira Marta Cordeiro, de 33 anos, há 11 anos a exercer a profissão, afirmou que está a lutar pela "dignificação da carreira", uma vez que estes profissionais "foram muito esquecidos" no processo negocial das carreiras, que na área da saúde "já todas foram revistas".

Face à concentração dos profissionais de enfermagem, alguns utentes que se dirigiam ao hospital de Ponta Delgada protestavam pela paralisação, enquanto outros manifestam a sua solidariedade com a luta da classe.

Fonte da secretaria regional declarou, entretanto, à agência Lusa não estar na posse de dados sobre a adesão à greve porque "oficialmente o Governo dos Açores não está a contabilizar" valores.



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