Empresários do turismo da Terceira dizem estar "fartos" de promessas não cumpridas

Empresários do turismo da Terceira dizem estar "fartos" de promessas não cumpridas

 

LUSA/AO online   Economia   9 de Set de 2015, 17:20

O presidente da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH) disse hoje que os empresários do setor do turismo na ilha Terceira estão "fartos" de promessas não cumpridas, criticando partidos e os governos da região e da República

"Já basta de jogos políticos, de promessas não cumpridas. Estamos fartos de promessas", salientou Sandro Paim, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, onde estiveram dezenas de empresários da ilha Terceira.

Segundo o presidente da associação empresarial, há um "estrangulamento" nas viagens entre a Terceira e o continente, mas também nos encaminhamentos para outras ilhas, o que tem feito com que os turistas optem pelas que têm passagens mais baratas e melhores ligações.

"Pergunte-se aos agentes de viagens, aos operadores, se têm lugares para vender para a Terceira e a que valores é que têm. Há um estrangulamento muito forte quer nos encaminhamentos, quer nos lugares disponíveis de e para a Terceira. Isso tem de acabar, não pode acontecer", frisou.

Sandro Paim criticou também o PSD, o CDS-PP, o Governo Regional e o Governo da República por terem anunciado a ida de companhias de baixo custo para a ilha Terceira, criando "expetativas" nos empresários, quando dois meses depois do anúncio as duas transportadoras que voam para a ilha de São Miguel revelaram que não iriam voar a curto prazo para a Terceira.

"Todos quiseram ser o pai da criança, quando foram anunciadas as 'low cost'. Agora que foi anunciado, infelizmente, pelos responsáveis da EasyJet e Ryanair que não vêm este ano para a Terceira, todos estão a atirar as culpas uns aos outros. Isto não é admissível e os açorianos não podem aceitar isto", apontou.

O clima de "incerteza" sobre os voos ‘low cost' já levou a que alguns empresários tivessem desistido de investir no setor do turismo na ilha Terceira, segundo o presidente da CCAH, que reivindicou explicações, antes das eleições legislativas, sobre a operação aérea nos próximos anos.

Os empresários querem saber em concreto o que está a ser feito pelos governos da região e da República para levar voos ‘low cost' para a ilha Terceira, quando terão início esses voos e as operações charter anunciadas para Boston e Madrid e o porquê da escolha destes mercados em vez de mercados já consolidados nos Açores, como Alemanha, Reino Unido ou Holanda.

O responsável quer que o executivo açoriano diga também quando se inicia o reforço da operação da SATA Internacional e da SATA Air Açores, previsto no Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira (PREIT), apresentado pelo Governo Regional para mitigar os impactos negativos da redução militar norte-americana na base das Lajes, localizada na ilha.

O PREIT prevê ainda a criação de um plano de animação turística para a Terceira, que os empresários dizem não saber em que ponto está nem qual a sua utilidade, já que o plano estratégico para o turismo nos Açores, cuja apresentação estava prevista para abril, deveria incluir também medidas para a ilha.

"Nós já fizemos planos estratégicos, o que agora precisamos é gastar dinheiro na implementação dos planos estratégicos e das medidas que são necessárias para a captação de fluxo", salientou Sandro Paim.

Os empresários questionam ainda em que ponto está a certificação do aeroporto da Terceira, de quem é a responsabilidade por ela não estar concluída e se isso condiciona a chegada das ‘low cost' ou de outras companhias.

Os números do turismo na ilha Graciosa preocupam a CCAH, que representa igualmente empresários da ilha, por isso a associação empresarial reivindicou o reforço de lugares nas ligações de avião e a existência de ligações marítimas entre as ilhas Graciosa, Terceira e São Jorge, durante todo o ano.

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