Empresa da Terceira quer exportar leite de burra dos Açores para a indústria cosmética

Empresa da Terceira quer exportar leite de burra dos Açores para a indústria cosmética

 

AO/Lusa   Regional   26 de Jul de 2015, 13:42

Uma empresa na ilha Terceira quer exportar leite de burra para a indústria cosmética e alega que a pastagem dos Açores confere ao produto caraterísticas únicas no mundo.

 

"Já sabíamos que o leite de vaca tinha o dobro do ómega 3 do leite produzido noutro sítio. Viemos a confirmar, através de um estudo feito pela Universidade dos Açores, que o nosso leite de burra também tem o dobro do ómega 3 do outro leite produzido a nível mundial e esse é um caracter altamente diferenciador", salientou, em declarações à Lusa, Marcos Couto, sócio da Asinus Atlânticus.

A empresa nasceu há três anos e durante esse período consolidou o efetivo e apurou a qualidade do leite. A partir de setembro deste ano Marcos Couto conta começar a exportar leite em pó para a indústria cosmética.

Para trás ficam muitas adversidades e horas de aprendizagem, porque quando iniciaram o negócio, os sócios (dois irmãos e respetivos cônjuges) nada sabiam sobre o maneio dos burros.

"Houve aqui um processo de aprendizagem e de adaptação, porque tínhamos algum 'know how' daquilo que é o maneio da vaca, mas fomos percebendo que o maneio e as características deste animal eram diferentes", explicou Marcos Couto.

Foi através de uma reportagem na televisão que descobriram o potencial do leite de burra, mas só quando avançaram com o projeto descobriram que podiam ter alguma vantagem competitiva em relação ao que já existia no mercado.

"O leite dos Açores tem uma característica única a nível mundial, graças ao efeito do mar sobre as nossas pastagens", salientou o empresário, explicando que o ómega 3 é "antioxidante".

Para além da falta de informação sobre esta espécie em Portugal, os empresários depararam-se com a escassez de burros na ilha Terceira.

"Isso foi um problema. Comprávamos aquilo que existia, porque já eram muito poucos. E desse lote inicial viemos a deparar-nos com muitos problemas de gestação", explicou Marcos Couto.

Atualmente, a Asinus Atlânticus tem um efetivo de 15 animais, entre os quais se encontram alguns com características do Burro da Graciosa, reconhecido como raça autóctone no final de junho.

Mais pequenas do que as da raça de Miranda, as burras da Graciosa têm vantagens e desvantagens na produção de leite, por isso, no futuro os empresários ainda terão de avaliar se será ou não "vantajoso" investir nesta raça.

"O grande problema da burra da Graciosa é efetivamente a sua fraca capacidade produtiva. É um animal que produz sensivelmente entre 900 mililitros e 1 litro e 100 de leite por dia, significativamente abaixo de outros animais. Também é verdade que tem necessidades alimentares muito inferiores", explicou Marcos Couto.

Com o efetivo atual, a empresa produz cerca de cinco litros de leite por dia, uma quantidade bastante inferior à produzida numa exploração bovina, mas os custos associados são praticamente os mesmos, já que a exploração tem também máquina de ordenha, por exemplo.

A falta de terrenos disponíveis perto da exploração faz, no entanto, com que seja impossível, pelo menos por enquanto, ultrapassar as 20 fêmeas produtoras.

A liofilização (transformação do leite em pó) é feita também na exploração, o que permite uma maior conservação do produto e reduz os custos de exportação.

A empresa está atualmente em processo de conversão para que o leite seja certificado como biológico, o que Marcos Couto estima que aconteça no final de 2015.

 



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