Burro da Graciosa foi reconhecido como raça e tem potencial turístico e terapêutico


 

AO/Lusa   Regional   26 de Jul de 2015, 13:44

Recentemente reconhecido como raça autóctone, o Burro da Graciosa tem potencialidades turísticas e terapêuticas, ainda por explorar, na opinião do presidente da associação de criadores da ilha, Franco Ceraolo.

 

"É bom para fazer passeios turísticos na natureza", salientou, em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Criadores e Amigos do Burro Anão da Ilha Graciosa, criada em 2013, especificamente para candidatar o animal a raça autóctone.

Apesar de não ter características para ser considerado anão, nos Açores é assim que o burro é conhecido, devido à sua estatura pequena.

O reconhecimento como raça surgiu em finais de junho, graças aos estudos biométricos e genéticos do Centro de Biotecnologia da Universidade dos Açores, liderado pelo professor Artur Machado.

Segundo Franco Ceraolo, se for bem tratado, o Burro da Graciosa é "muito mansinho", não se assusta com facilidade e, apesar de andar devagar, transmite muita "segurança", por isso, é ideal para passeios turísticos, porque "permite apreciar a paisagem".

As características do animal são também favoráveis ao contacto com crianças, segundo o criador, que já organizou alguns passeios para os filhos dos amigos.

Para além do potencial turístico, o presidente da associação acredita que o Burro da Graciosa possa ser utilizado na asinoterapia (terapias em que são usados burros) ou na produção de leite, o que já é feito na ilha Terceira.

Para o criador, os burros podem até ser simples "animais de companhia" ou ajudar nas lides domésticas.

"Tenho um jardim com relva e há anos que não uso máquinas roçadoras. Deixo entrar um burro ou dois e durante dois dias eles comem. Fazem uma limpeza fantástica e não estragam as flores", salientou.

Natural de Roma, Franco Ceraolo mudou-se para uma quinta na Graciosa quando se reformou, para fugir às grandes cidades, e atualmente tem 10 burros e outros dois vão nascer em breve.

Quando se mudou para a ilha começou a notar que eram as pessoas de mais idade que utilizavam o burro como meio de transporte ou na agricultura e isso fê-lo pensar que o animal poderia desaparecer assim que aquelas pessoas morressem.

Foi o que viu acontecer numa pequena vila da Toscana, onde passava férias com os avós, mas graças à intervenção de um amigo que, nos anos 1990, começou a criar burros, atualmente a raça pode ser encontrada desde o sul de Itália ao centro da Europa.

Atualmente, a Graciosa não tem mais de 70 burros, mas existem muitos exemplares espalhados por outras ilhas dos Açores.

Segundo Franco Ceraolo, ainda há muitas pessoas que utilizam o animal para lavrar a terra na Graciosa e desde que associação foi criada a procura pelo burro cresceu e o efetivo tem vindo a aumentar.

Agora que a raça já foi reconhecida, defende a necessidade de registar todos os animais existentes para que os criadores tenham acesso a apoios comunitários para a conservação da raça.

"O primeiro passo, que era o mais importante, foi o reconhecimento a nível nacional. Agora temos um grande trabalho pela frente, que é inscrever todos os animais que têm estas caraterísticas num livro genealógico", explicou, salientando, no entanto, que esse trabalho "tem um custo", sobretudo porque os animais estão espalhados por várias ilhas.

Uma estatística feita na década de 1960 apontava para um efetivo de 1196 burros, quando a ilha tinha 6800 habitantes.

Na altura, a raça era utilizada no transporte de pessoas, que montavam o burro ou utilizavam-no para puxar carroças de madeira, mas também na agricultura, para lavrar a terra, e até em atividades lúdicas, como "burricadas".

Com origem no norte de África, o Burro da Graciosa chega a ter menos de um metro ao garrote e não ultrapassa 1,04 metros.

 


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