Edição dos "Sonetos Completos de Antero de Quental" no aniversário do "poeta das ideias"

Edição dos "Sonetos Completos de Antero de Quental" no aniversário do "poeta das ideias"

 

Aonline/LUSA   Regional   17 de Abr de 2016, 13:00

Todos os sonetos escritos por Antero de Quental voltam a estar reunidos em livro, a apresentar segunda-feira, em Ponta Delgada, Açores, para homenagear o "poeta das ideias", no dia em que faria 174 anos.

“Este livro recupera a edição de 1886, que o poeta preparou”, afirmou à agência Lusa a investigadora Ana Maria Almeida Martins, especialista na obra do "poeta das ideias", autora do prefácio destes “Sonetos Completos de Antero de Quental”, que organizou à imagem da recolha original.

A publicação do livro é uma iniciativa da Câmara de Ponta Delgada, com a Livraria Solmar Artes & Letras, para assinalar o nascimento, a vida e a obra de um dos "Vencidos da Vida", organizador das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, que a investigação define como um dos maiores poetas e pensadores portugueses.

Antero de Quental nasceu em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores, a 18 de abril de 1842, cidade onde morreu a 11 de setembro de 1891.

Ana Maria Almeida Martins, que primeiro se encantou pela história pessoal e depois pela obra do poeta, considera que Antero de Quental tem de ser recordado pela sua obra literária e é preciso lê-lo mais, para se compreender a sua genialidade, dado que grande parte dos portugueses “não sabe nada dele”.

“Não é só São Miguel, é o país que não tem a noção do génio que há em Antero de Quental”, considerou a especialista, alegando que estamos perante um “político, um filósofo, um pensador e um grande poeta, que deveria ser mais estudado no ensino secundário, começando por poemas mais acessíveis”.

Ana Maria Almeida Martins, que tem dedicado a sua carreira académica a estudar e divulgar a obra do poeta e pensador micaelense, reconheceu que a poesia de Antero é “difícil”, por ser uma “poesia de ideias filosóficas e políticas, algo que nunca tinha acontecido antes na sua época”.

“Ele põe a política na poesia quando faz as ‘Odes Modernas’, que é um livro um pouco datado, mas que tem de ser lido no contexto da época em que apareceu, e é realmente uma pedrada no 'charco' dos passarinhos, ‘florzinhas’ e dos olhos castanhos”, referiu a investigadora, classificando de “extraordinário” que um jovem de 23 anos, “que chega de uma ilha remota, a Coimbra, tenha feito poemas às ideias”.

Segundo Ana Maria Almeida Martins, a obra agora editada deveria estar "à mesa-de-cabeceira” de todas as pessoas.

No prefácio, a investigadora faz a história dos sonetos, dos percalços e das condições, “muitas vezes adversas”, em que foram escritos.

A autora adiantou, também, que houve uma edição dos sonetos de Antero de Quental, da autoria de António Sérgio, e pela qual estudaram muitas gerações, mas que “nada tem a ver com a edição preparada pelo poeta em vida”, e que contou com duas edições, publicadas por outro "vencido da vida", o historiador Joaquim Pedro de Oliveira Martins.

A segunda edição, de 1890, inclui um apêndice com traduções de sonetos, em alemão, francês, italiano e espanhol.

“Antero de Quental foi muito traduzido, pois era muito conhecido na Europa. Foi o mesmo tradutor, de português para alemão, de Camões, que traduziu os poemas de Antero, o que o envaidecia”, confidenciou à agência Lusa Ana Maria Almeida Martins, que, sempre que se desloca a Ponta Delgada, faz questão de colocar flores no busto de Antero de Quental, num jardim da cidade com o nome do poeta.

A investigadora conta lançar um novo livro, ainda este ano, no qual reunirá “tudo o que Eduardo Lourenço escreveu sobre Antero de Quental”, um “encontro de génios”, que será editado no âmbito da obra completa do professor e filósofo português, organizada pela Universidade de Évora, com a Fundação Calouste Gulbenkian.

Ana Maria de Almeida Martins, que publicou uma primeira seleção de sonetos do escritor em 1996, é igualmente responsável por edições de correspondência e pela recolha de artigos do escritor na revista "Occidental" ("Contracapas") e no jornal "O Século XIX" ("O bacharel José").

Organizou ainda a "Fotobiografia" e a monografia dedicada ao autor de "Odes modernas", da Biblioteca Nacional ("Antero de Quental: 1842-1891"), entre outros títulos.

Estudos da investigadora encontram-se refletidos em obras como "A década dourada de Vila do Conde, 1881-1891", "Antero de Quental e a viagem à América: remando contra a maré" e "O essencial sobre Antero de Quental".

O lançamento da nova edição dos “Sonetos Completos" realiza-se segunda-feira, nos Paços do Concelho de Ponta Delgada, a partir das 17:00, sem a presença da autora, por motivos de saúde.


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