Dresden lembra vítimas de ataque aéreo aliado há 65 anos e repudia presença de neonazis


 

Lusa / AO online   Internacional   13 de Fev de 2010, 16:53

Milhares de pessoas formaram hoje uma cadeia humana no centro histórico de Dresden para recordar os bombardeamentos aliados, há 65 anos, que fizeram 20 mil vítimas civis, e para protestar contra o aproveitamento da data pela extrema direita.

“Opomo-nos às tentativas de velhos e novos nazis de abusar deste dia de tristeza”, disse num comício a presidente da Câmara Municipal, Helma Orosz.

A autarca democrata cristã abriu o cordão humano, que atravessou o centro histórico da cidade, em conjunto com o ministro presidente da Saxónia, Stanislav Tillich.

“O aniversário da destruição de Dresden é, tradicionalmente, um dia de tristeza e silêncio, mas é necessário recordar quem desencadeou a maldita guerra”, acrescentou Orosz.

“Antes de Dresden arder sob os bombardeamentos aliados, ardeu a nossa Sinagoga, arderam Varsóvia, Roterdão e Coventry”, disse ainda a presidente da Câmara, aludindo a algumas das principais cidades mártires dos bombardeamentos da aviação nazi, durante a II Guerra Mundial.

Enquanto cerca de 10 mil pessoas se juntavam ao cordão humano, os sinos das igrejas de Dresden repicaram em memória das vítimas dos bombardeamentos de 13 e 14 de fevereiro de 1945, levados a cabo pela força aérea britânica e norte-americana.

“Vivi os bombardeamentos na cidade, e não compreendo que haja outra vez nazis a marchar em Dresden”, disse à televisão pública ARD uma testemunha da época, de 80 anos.

Do outro lado do Rio Elba, junto à estação ferroviária de Neustadt, cerca de 1300 neonazis faziam comício com palavras de ordem nacionalistas, dirigidas sobretudo contra as potências vencedoras da II Guerra Mundial.

Milhares de neonazis sob escolta policial, que estavam ainda a caminho de Dresden, não conseguiram participar na manifestação, convocada por uma organização juvenil neofascista da região.

Os milhares de agentes do corpo de intervenção intervieram e recorreram a canhões de água, depois de contra-manifestantes esquerdistas, que participaram numa contra-manifestação com cerca de duas mil pessoas, se terem envolvido em confrontos com militantes da extrema direita.

Antes disso, os manifestantes esquerdistas bloquearam as ruas e impediram o desfile neonazi, que foi inicialmente proibido pela autarquia local mas autorizado por um tribunal, que aceitou o argumento dos patrocinadores neofascistas e deu prioridade à liberdade de manifestação.

Depois de algumas tentativas para dissolver o bloqueio, levando um a um os manifestantes para fora do trajeto do desfile, a polícia viu-se obrigada a desistir, devido ao grande número de pessoas envolvidas, e ao risco de mais confrontos.

Os neonazis alemães, sobretudo o Partido Nacional-Democrático (NPD) elegeram Dresden, nos últimos anos, como um verdadeiro “santuário” para os seus protestos. Desde 1999, convocam anualmente uma marcha fúnebre para a capital da Saxónia, acusando os aliados de terem massacrado a população alemã há 65 anos.

A propaganda nazi refere mesmo que houve 200 mil mortos devido aos “raids” aéreos dos aliados e tenta atenuar a culpa do regime hitleriano no que se refere às consequências da guerra, que causou cerca de 50 milhões de mortos em todo o mundo.


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