Docente da Universidade de Indiana considera ser difícil inverter 'downgrade' das Lajes

Docente da Universidade de Indiana considera ser difícil inverter 'downgrade' das Lajes

 

Lusa/AO Online   Regional   29 de Mai de 2015, 08:09

A docente da Universidade de Anderson (EUA), Dulce Scott, declarou hoje não acreditar que o 'lobby' luso-americano consiga inverter o 'downgrade' da base das Lajes, mas aconselhou ao poder político português a continuar a tentar.

 

“Se se tentar poderão ser obtidos melhores resultados do que se não se tentar. Digo sempre que nada é impossível. Claro que pode não ser muito provável, mas não trazer esta questão à atenção de outros legisladores e também do Pentágono seria um erro muito grave”, disse Dulce Scott.

Em declarações aos jornalistas na sequência de uma conferência que proferiu na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, sobre a presença dos luso-americanos na política norte-americana, a docente de origem açoriana aconselhou a que aborde a questão “o quanto mais possível”, visando alcançar não tudo o que se pretende mas “alguma coisa”.

A investigadora no Instituto de Estudos Portugueses e Lusófonos no Rhode Island College (EUA) refere que as decisões que foram tomadas sobre a base das Lajes têm origem no Pentágono, o que torna o processo “muito difícil”, lembrando que “estas pessoas não são eleitas” e estão dependentes das verbas que são atribuídas pelo Congresso dos EUA.

“Eles estão a seguir a sua própria lógica e acham que não é do interesse do Pentágono continuar a financiar a base das Lajes. Eu não sei até que ponto o próprio Congresso dos EUA terá possibilidades de mudar de ideias”, considera.

Dulce Scott lembra que o Caucus português, grupo de membros da Casa dos Representantes com ligação a Portugal, possui legisladores eleitos por áreas com elevada população portuguesa que não consegueriam os seus intentos nesta matéria.

A doutorada em sociologia pela Universidade de Brown, referindo-se especificamente à temática da sua conferência declarou que existe uma “ideia preconcebida” de que os portugueses são apolíticos, o que não corresponde à verdade, uma vez que se assiste à sua presença, em “grande número”, ao níveis políticos municipal e estadual.

“Estas pessoas não são conhecidas porque ninguém prestou atenção. Não há quase nenhum estudo a nível académico sobre a participação política dos luso-americanos, emigrantes e já nascidos nos EUA”, refere a docente universitária.

Apesar de recentemente se ter assistido a uma “ligeira diminuição” da participação política portuguesa nos EUA, Dulce Scott disse que a partir de 1990 assistiu-se a um “aumento notável”, muito embora salvaguarde que este envolvimento existe desde o início da emigração.

A investigadora do Instituto de Estudos Portugueses e Lusófonos no Rhode Island College considera que o que se alterou foi a participação na política de luso-americanos de outros estados, que não os de emigração tradicional, como Pensilvânia e Arizona.

Dulce Scott, cujos pais são naturais da ilha de São Miguel, tem desenvolvido pesquisa em áreas como a imigração, raça e etnicidade, com atenção particular para a problemática da identidade e integração da comunidade lusófona nos EUA.


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