Distância não afasta militares norte-americanos na base das Lajes

Distância não afasta militares norte-americanos na base das Lajes

 

Lusa/AO Online   Regional   5 de Nov de 2016, 10:30

Os militares norte-americanos colocados na base das Lajes, na ilha Terceira, seguem a campanha eleitoral para a presidência dos Estados Unidos quase como se estivessem em casa, mas entre si não falam de política.

Apesar de estarem num país diferente, a internet e o canal de televisão da Força Aérea norte-americana vão permitindo um acompanhamento próximo das notícias sobre a campanha e muitos já exerceram o seu direito de voto.

As eleições, em que será escolhido o sucessor de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos da América, disputam-se a 08 de novembro.

Não fosse o fuso horário e muitos militares teriam acompanhado em direto, na base das Lajes, os debates entre os dois candidatos presidenciais, Hillary Clinton e Donald Trump, que foram transmitidos nos Açores por volta da 01:00 (hora local, mais uma em Lisboa).

Ainda assim, houve quem tivesse resistido pela madrugada dentro, como Dustin Wills, há onze meses na base das Lajes.

“Vi os debates e tenho seguido as notícias. Fiquei acordado para ver alguns”, revelou, em declarações à Lusa.

O militar norte-americano, que já votou, disse que gosta de política e por isso manteve na ilha Terceira o mesmo interesse pela campanha eleitoral que teria se estivesse nos Estados Unidos.

Já Sherman Lewis Jr., há oito meses na base das Lajes, admitiu prestar mais atenção aos debates por estar longe de casa.

“Quando se está lá, damos as coisas como garantidas. Quando estamos longe tentamos sentir que somos parte da situação. Acho que presto muito mais atenção aqui do que se estivesse em casa”, salientou.

O horário de trabalho não lhe permite acompanhar os debates em direto, mas disse seguir o máximo possível as notícias da campanha e os debates transmitidos posteriormente pela televisão da Força Aérea.

Os militares norte-americanos estão impedidos de emitir opiniões sobre o presidente dos EUA, que é seu superior hierárquico, por isso também não é habitual discutirem política entre si.

Dustin disse ter falado apenas com a família sobre as eleições e Sherman optou por refletir sozinho.

“Eu não falo muito sobre política, porque às vezes a política pode ser muito emocional para algumas pessoas. Não gosto de o fazer. Normalmente, decido por mim”, frisou.

Segundo Dustin Wills, quando se apercebem que é norte-americano, alguns portugueses, na ilha Terceira, acabam por dar a sua opinião sobre as eleições, mas o militar limita-se “sorrir a acenar”.

Os dois norte-americanos não atribuíram especial importância a estas eleições, mas consideraram importante votar, elencando como principais áreas de interesse na discussão do futuro dos Estados Unidos a economia, a Defesa nacional, os impostos, a saúde, a pobreza e a classe média.

Postura diferente teve Luke Leam, há quatro meses na Terceira, que não seguiu os debates, não votou, nem discutiu política. “Eu nunca votei antes. Não votava se estivesse lá”, salientou.

Há quatro anos, o destacamento norte-americano na Base das Lajes tinha cerca de seis centenas de militares e sete centenas de dependentes (cônjuges e filhos).

Atualmente, estão apenas perto três centenas de militares, que são colocados nas Lajes por períodos de um ano e sem direito ao acompanhamento de familiares.

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