Dilma diz-se "injustiçada e indignada" com aprovação do 'impeachment'

 Dilma diz-se "injustiçada e indignada" com aprovação do 'impeachment'

 

Lusa/AO online   Internacional   19 de Abr de 2016, 14:59

A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, disse, no Palácio do Planalto, em Brasília, que se sente injustiçada com a decisão da Câmara dos Deputados sobre a continuação do processo de destituição movido contra si.

 

"Sinto-me indignada com a pessoa [referindo-se ao presidente da Câmara do Deputados, Eduardo Cunha], que aceitou 'impeachment' [destituição]. Injustiçada porque aqueles que praticaram atos ilícitos e têm contas no exterior decidiram, numa sessão, que se trata de uma questão tão grave quanto é o impedimento de um Presidente da República", declarou.

No domingo, por 367 votos a favor, contra 137, os deputados aprovaram a abertura do processo conta a Presidente no Senado (câmara alta), instância responsável por julgar se a a chefe de Estado cometeu um crime de responsabilidade e deve ser afastada do cargo.

Visivelmente abatida, Dilma Rousseff voltou a dizer que os atos pelos quais está a ser acusada foram praticados por outros Presidentes da República e, na época de seus antecessores, não foram considerados ilegais e criminosos.

Para a chefe de Estado, as pedaladas fiscais (atraso no passagem de dinheiro do Governo para os bancos para melhorar as contas públicas) e os decretos não numerados (que foram considerados despesas extra sem aument'torização do Congresso) têm critérios técnicos.

"Não foram atos praticados para que eu enriquecesse indevidamente. Estes atos [pedaladas fiscais e decretos, como se diz no Brasil] fizeram parte de decisões técnicas que todo o Presidente da República tem que tomar no exercício do seu cargo", justificou.

Sobre a votação na Câmara, Dilma Rousseff considerou muito mau para a imagem do Brasil que o mundo visse o país enfrentar um processo tão importante com uma "baixa qualidade" nos debates.

"Sabemos que vivemos tempos muito difíceis, mas também tempos históricos. Quero dizer que o mundo e a história nos observam. Tenho animo e coragem para enfrentar esta injustiça. Eu não vou me abater", declarou.

Dilma Rousseff também comentou o andamento do processo no Senado, apelidando-o de 'quarto turno das eleições', explicando que já falou com Renan Calheiros, presidente deste órgão, e que as decisões sobre o ritual no Senado serão decididas nos próximos dias.

"Nós tivemos sempre uma interação muito mais qualificada com os senadores", destacou.

Ao longo do seu discurso, a chefe de Estado voltou a criticar o vice-Presidente Michel Temer, e as pautas bombas (projetos que tramitaram na Câmara dos Deputados que tinham como objetivo aumentar as despesas do Governo profundamente abalado pela falta de arrecadação) que, segundo ela, a impediram de governar com tranquilidade.

A Presidente também afirmou que não abrirá mão de exercer todos os seus recursos legais para manter seu mandato e defendeu a participação do ex-Presidente Luiz Inácio 'Lula' da Silva na gestão de seu Governo.

Sobre o futuro da economia brasileira, em recessão desde 2015, concluiu dizendo que, caso consiga permanecer no cargo, pretende fazer um reforma profunda para construir um novo caminho para o Brasil.


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