DGArtes: BE acusa ministro da Cultura de "erros muito graves" e pede mais dinheiro

DGArtes: BE acusa ministro da Cultura de "erros muito graves" e pede mais dinheiro

 

Lusa/AO online   Nacional   3 de Abr de 2018, 14:20

A coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou esta terça-feira que o ministro da Cultura fez “erros muito graves” no dossier dos concursos ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes e pediu a reposição dos valores de 2009.

“O Ministério da Cultura fez erros muitos graves este ano” na questão dos concursos, afirmou aos jornalistas Catarina Martins, à margem de uma visita à Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da Amadora (CERCIAma), horas depois de o ministro ter anunciado, na RTP, mais um reforço de verbas e a revisão do modelo de financiamento.

Para a líder bloquista, o “Governo errou clamorosamente”, “é bom que o ministro da Cultura reconheça o erro, é grave que tenha errado e devia ter prevenido”.

O BE, lembrou, aliás, “chamou a atenção para esta questão várias vezes”.

A solução “vai exigir mais financiamento, mais dotação financeira” ao nível do financiamento de 2009, que são verbas muito baixas, “quase inexistentes do ponto de vista do Orçamento do Estado”.

“Lembro que para toda a cultura [o valor] é 0,2%, o que arredondado dá zero”, ironizou.

E porque não “é preciso inventar a roda”, é preciso “não deixar” que “fechem as portas” às “estruturas que trabalham com escolas, fazem as agendas culturais” ou “fazem com que cada um tenha acesso ao conhecimento, à arte ou poder pensar sobre si próprio”.

“Essa decisão tem de ser tomada o mais depressa possível”, concluiu.

A coordenadora do Bloco recordou a situação difícil em que se encontram várias estruturas culturais espalhadas pelo país, que não só do teatro, que se endividaram para "agora saberem que não têm dinheiro" do Estado, em mais uma crítica ao ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes.

A líder bloquista lembrou que PS, PSD e CDS chumbaram uma proposta do BE no Orçamento do Estado de 2018 para repor os valores para os níveis de 2009 (cerca de 20 milhões de euros).

Para o futuro, defende que o orçamento da Cultura deve entrar na agenda, por força da contestação de vários agentes culturais e artísticos.

Até hoje, admitiu, "não tem existido uma força social para impor uma mudança", para colocar "na agenda o orçamento para a Cultura", afirmou.

Na segunda-feira, o BE pediu para ouvir no parlamento a diretora-geral das Artes e o ministro da Cultura sobre os resultados provisórios dos concursos ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes, que considera não serem aceitáveis.

Os resultados provisórios dos concursos ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes, conhecidos na sexta-feira, têm suscitado protestos de companhias e criadores.

Estes resultados garantem apoio estatal a 50 candidaturas das 89 avaliadas na área do teatro, ficando de fora 39 estruturas, como o Teatro Experimental de Cascais, o Teatro Experimental do Porto, a Seiva Trupe, o Festival Internacional de Marionetas e Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), O Teatrão e Escola da Noite, em Coimbra, e o Centro Dramático de Évora.

Entre as companhias mais apoiadas do programa, segundo os resultados provisórios, estão o Teatro Praga, a Companhia de Teatro de Almada, os Artistas Unidos, O Bando, o Teatro do Noroeste, a Companhia de Teatro de Braga, a Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), a Comuna - Teatro de Pesquisa e o Novo Grupo - Teatro Aberto.

Um conjunto de agentes do teatro reuniu-se no sábado em Lisboa em contestação ao processo, tendo decidido constituir uma plataforma e pedir uma reunião ao primeiro-ministro, António Costa.

Os concursos ao Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021 abriram em outubro, com um valor global de 64,5 milhões de euros para apoiar modalidades de circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e teatro.

No sábado, o Governo anunciou um reforço do montante disponível até 2021, para 72,5 milhões de euros.



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