Detidos ativistas dos direitos das mulheres na Arábia Saudita

Detidos ativistas dos direitos das mulheres na Arábia Saudita

 

Lusa/AO Online   Internacional   19 de Mai de 2018, 22:23

Sete ativistas dos direitos das mulheres na Arábia Saudita foram detidos por “atentado à segurança e à estabilidade do reino”, anunciaram hoje as autoridades, sem divulgar a identidade dos detidos.

Segundo a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), sete ativistas estão detidos desde terça-feira. O grupo de detidos integra três mulheres conhecidas pela luta contra a proibição de conduzir e a tutela masculina: Lujain al-Hathlul, Aziza al-Yussef e Emana al-Nafjan. Está em curso “um inquérito para identificar todas as pessoas implicadas” e tomar as “medidas legais apropriadas”, disse um porta-voz dos serviços de segurança sauditas citado pela agência oficial SPA. O porta-voz acusou as pessoas detidas de terem mantido “contactos suspeitos com partes estrangeiras”, dado apoio financeiro a “elementos hostis no estrangeiro” e recrutado funcionários. A Arábia Saudita, único país do mundo que proíbe as mulheres de conduzir, comprometeu-se a aplicar reformas para permitir uma maior participação das mulheres na vida económica e social. Em setembro de 2017, o governo do príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman anunciou que as mulheres vão ser autorizadas a conduzir e marcou para 24 de junho de 2018 o levantamento da proibição. Nenhuma medida foi, no entanto, anunciada em relação ao sistema de tutela masculina, ao abrigo do qual a mulher precisa da autorização de um membro masculino da família para estudar, viajar ou exercer determinadas profissões. Ativistas disseram à HRW que, após a decisão de levantar a proibição de conduzir, a justiça pediu a “destacados ativistas” que não falassem à imprensa. Sarah Leah Whitson, responsável da organização para o Médio Oriente, frisou que, apesar dos anúncios de reformas, “os verdadeiros reformadores sauditas que ousam defender publicamente os direitos humanos e a emancipação das mulheres” continuam a viver num “clima de medo”.



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