Deco defende fiscalização mais ativa para clínicas privadas

Deco defende fiscalização mais ativa para clínicas privadas

 

Lusa/AO Online   Nacional   18 de Ago de 2010, 06:37

O secretário geral da Associação Portuguesa para a defesa dos consumidores (Deco) defende mais fiscalização do setor médico privado, rejeitando que ali esteja uma alternativa ao Serviço Nacional de Saúde.

Em declarações à agência Lusa a propósito dos três pacientes que cegaram depois de serem operados aos olhos numa clínica privada de Lagoa, Jorge Morgado afirmou que a fiscalização deste tipo de estabelecimentos de saúde "não pode ser feita só quando há participações e queixas, tem de ser feita de forma proativa".

"Não somos contra a clínica privada, mas não podemos ter o discurso cínico de saber que tem muitos calcanhares de Aquiles, como periodicamente se vê, e manter a apologia da medicina privada como grande alternativa ao Serviço Nacional de Saúde, como tantas vezes é vendido por opinion makers e líderes partidários", afirmou.

"A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica não precisa de reclamações para atuar", exemplificou, lembrando que falta regulamentar a legislação publicada em 2009 relativa ao exercício de atividade dos estabelecimentos de saúde privados.

"Só assim pode dar aos portugueses segurança em relação ao que é fiscalizado. Estamos a falar de vidas, de saúde, de questões fundamentais. A inspeção tem de funcionar e tem de ser transparente, os portugueses precisam de ter informação sobre como é exercida, quem a faz, quando a faz e onde foi feita", defendeu.

Jorge Morgado afirmou que as consequências da falta de meios das clínicas privadas podem não ser sentidas sempre de forma tão grave como nos casos das três pessoas que cegaram, mas acontecem "de forma persistente com exames de diagnóstico que não são bem feitos, com cuidados mal aplicados".

"Se as clínicas souberem que estão a ser fiscalizadas, deixam de fazer contratos com pseudo-radiologistas e aprendizes, vão contratar os serviços de profissionais habilitados", argumentou.

"Quando há problemas graves nas clínicas, quando há situações que se complicam, não são [as clínicas] com os seus meios técnicos que as resolvem", acrescentou, indicando que são os hospitais públicos que são chamados a intervir.

Jorge Morgado salientou que, muitas vezes, a medicina privada "disfarça a falta de condições técnicas com a hotelaria: as televisões no quarto, os perfumes de banho oferecidos aos pacientes".


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