Crise migratória e crise climática são dois maiores riscos mundiais

Crise migratória e crise climática são dois maiores riscos mundiais

 

Lusa/AO online   Economia   14 de Jan de 2016, 17:52

A crise migratória e o fracasso na luta contra os efeitos do aquecimento global encontram-se entre os principais riscos que o mundo enfrenta, segundo especialistas citados pelo Fórum Económico Mundial (FEM) num relatório anual.

 

"O risco considerado como tendo a maior possibilidade de se concretizar é o das migrações forçadas em grande escala", lê-se no documento sobre riscos globais divulgado antes do Fórum de Davos, marcado para entre 20 e 23 deste mês.

Ainda de acordo com o Relatório de Riscos Globais de 2016, este ano na 11.ª edição, "o fracasso na adaptação às alterações climáticas e na atenuação dos seus efeitos" lidera na categoria das "situações com maiores impactos" na próxima década.

Após três anos a marcar presença entre os cinco "riscos de maior impacto", o fracasso na atenuação e adaptação às alterações climáticas chegou à liderança, sendo agora visto como aquele que terá consequências mais significativas a breve trecho, à frente das armas de destruição maciça, que ocupa o segundo lugar, ou das crises da água, que está na terceira posição.

A migração involuntária em grande escala está no topo da categoria dos "riscos avaliados como mais prováveis", além de figurar simultaneamente entre os cinco primeiros na categoria das situações com maiores impactos num futuro próximo.

Entre os riscos globais que são graves devido à combinação do seu impacto com a sua probabilidade de ocorrência contam-se alguns riscos económicos, incluindo crises fiscais em economias-chave e o elevado desemprego ou subemprego estrutural.

O desemprego e o subemprego surgem, inclusivamente, como o risco que maior preocupação suscita quando se trata de fazer negócios, constando como risco principal no Médio Oriente e Norte de África e na África Subsaariana.

Na África Subsaariana, as principais preocupações dos empresários incluem ainda o preço da energia e a falta de planeamento urbano e de infraestruturas básicas.

Todos os anos, antes do Fórum de Davos, que faz deslocar à localidade suíça alguns dos maiores decisores do planeta, o Fórum Económico Mundial, que organiza a iniciativa, publica um relatório sobre os riscos que o mundo enfrenta.

O documento é criado com base num conjunto de entrevistas, sendo que, em 2015, cerca de 750 peritos e decisores participaram na denominada Pesquisa de Perceção de Riscos Globais.

A edição deste ano em Davos deverá ser marcada pela crise migratória na Europa, pelas crises geopolíticas e de segurança, e pela luta contra as alterações climáticas, que estiveram em foco na COP21, realizada no outono passado em Paris.

Para elaborar o relatório, no final de 2015 o FEM pediu aos peritos e decisores que avaliassem 29 riscos globais - classificados como sociais, tecnológicos, económicos, ambientais e geopolíticos - num horizonte de 10 anos e os classificassem em função da sua probabilidade de ocorrerem e no seu impacto, caso efetivamente se verifiquem.

Segundo o FEM, uma paisagem de risco tão ampla não tem precedentes nos 11 anos em que o relatório tem avaliado os riscos globais, sendo "a primeira vez que quatro das cinco categorias - ambiental, geopolítica, social e económica - estão representadas entre os cinco principais riscos de maior impacto.

A única categoria não representada é a tecnológica, onde o risco com a classificação mais elevada é o ciber-ataque, que surge na 11.ª posição na categoria que combina probabilidade de ocorrência e impacto.

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