Crise grega marca reunião de hoje do Banco Central Europeu

Crise grega marca reunião de hoje do Banco Central Europeu

 

Lusa/AO Online   Economia   16 de Jul de 2015, 10:00

O Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) reúne-se hoje, com a crise grega em pano de fundo, enquanto os investidores aguardam uma decisão sobre o limite da linha de emergência aos bancos gregos.

Se a nível de política monetária os analistas não esperam novidade, sendo previsível que a taxa de juro diretora permaneça nos atuais 0,05%, é expectável que o teto da linha de liquidez aos bancos gregos, fixado em 89 mil milhões de euros, venha a aumentar esta semana ainda que a decisão não seja anunciada logo após a reunião desta quinta-feira.

“Julgamos que este novo aumento do limite de liquidez antecipado para esta semana deverá ocorrer, independentemente daquela que for a votação do Parlamento grego relativamente ao acordo com os credores”, comentou esta quarta-feira à Lusa José Miguel Moreira, do Departamento de Estudos do Montepio.

Para Filipe Garcia, da IMF – Informação de Mercados Financeiros, o BCE deve manter-se prudente quanto ao aumento da linha de emergência aos bancos, até pelo acolhimento da proposta em vários outros parlamentos nacionais.

“Podem querer anunciar isso [aumento da liquidez para banca grega] amanhã [quinta-feira], mas para isso têm de ter luz verde do Eurogrupo, têm de ter a certeza de que o financiamento de sete mil milhões de euros vai ser mesmo concedido. Depende do que acontecer hoje [quarta-feira na votação do Parlamento grego] e do sentimento que o BCE tiver quanto à viabilidade deste acordo nos parlamentos nacionais”, afirmou, destacando que “neste momento, o cenário é de uma progressiva normalização e estabilização”, comentou o analista na quarta feira.

José Miguel Moreira antecipa que a taxa de juro de referência do BCE se vai manter nos 0,05%, perspetivando “um início do ciclo de subida desta taxa diretora apenas em 2017”, enquanto Filipe Garcia prevê pressões crescentes para o BCE.

“A concretizar-se o terceiro resgate, os Estados vão ter de se endividar mais e, se aumenta o ‘stock’ de dívida, o serviço de dívida será correspondente. Este endividamento adicional vai criar mais pressão sobre o BCE para que não suba os juros e para que a curva de rendibilidade se mantenha o mais baixa possível”, explicou.

Quanto à implementação do programa de compra de ativos (“quantitative easing”), Filipe Garcia adiantou que está a decorrer a “um ritmo considerado normal”, ainda que com alguma aceleração em junho, antecipando o período de férias.

 

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.