Criado composto para utilizar nas estufas de ananás dos Açores

Criado composto para utilizar nas estufas de ananás dos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   4 de Fev de 2016, 10:23

O Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores (INOVA) desenvolveu um composto orgânico para utilizar em culturas, entre as quais a do ananás dos Açores, em alternativa à leiva, declarou hoje à Lusa o coordenador do projeto, Carlos Arruda.

“Este composto (Fo-Musami) tem sido testado em várias culturas, principalmente na produção do ananás, onde foram feitos diferentes ensaios em estufas da cooperativa Profrutos e também do INOVA”, declarou o professor aposentado do Instituto Superior de Agronomia.

Os produtores de ananás dos Açores, onde a cultura já existe há 150 anos, designadamente na ilha de São Miguel, utilizavam leiva, uma espécie vegetal, nas estufas, onde se produz o fruto, mas deixaram de o fazer por proibição da sua apanha, utilizando-se atualmente, em alternativa, outros compostos como o incenso.

Referindo que “há muitos produtores” a utilizarem o composto, que resulta de restos de jardinagem e de outras matérias da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM), Carlos Arruda considera que o Fo-Musami “é superior à leiva” ou outros compostos de eleição que são tradicionalmente usados na cultura do ananás, tendo já gerado “bons frutos”, com cerca de quatro quilos.

“Em matéria de qualidade, todos os testes e composições químicas que temos testado apontam, efetivamente, que o produto é de grande qualidade”, frisou o coordenador.

Salientando não existir qualquer adulteração das características biológicas do ananás, Carlos Arruda adiantou que os produtores, uma vez que se está perante uma cultura secular, oferecem alguma resistência à mudança, utilizando ainda a lenha moída e farelo, entre outros elementos, o que não significa que alguns não estejam a utilizar o composto Fo-Musami.

“Uma coisa é a técnica que os produtores têm, de facto, utilizado e outra a técnica que tem sido aplicada nos ensaios, que é do domínio de alguns, mas não alvo de trabalho extensivo de transmissão de conhecimento”, afirmou Carlos Arruda, acrescentado que este é o passo seguinte que se pretende dar no âmbito do projeto, apoiado por fundos comunitários.

O presidente da cooperativa Profrutos, Rui Pacheco, em declarações à Lusa, manifestou reservas sobre a introdução do Fo-Musami nas estufas, por poder alterar as características biológicas do fruto, “sendo ainda cedo”, para determinar os impactos do seu uso.

Sobre o aumento do peso do ananás (em média, atinge um quilo e 300 gramas), Rui Pacheco afirmou que se pode estar a “produzir algo que não interessa comercialmente”, questionando-se se este fruto de quatro quilos se vai diferenciar dos outros ananases que existem no mercado.

O ananás dos Açores foi introduzido na ilha de São Miguel no século XIX, sendo cultivado, de forma biológica, em estufas de vidro, o que o diferencia dos restantes, produzidos ao ar livre.

O ananás dos Açores, no seu auge, foi exportado para a Inglaterra, sendo originário da América do Sul e Central. Na última década desapareceram inúmeras estufas devido à pressão da construção civil.

 

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