Costa exige que Passos chame a si questão das Lajes


 

Lusa/AO online   Regional   19 de Jan de 2015, 17:26

O secretário-geral do PS exigiu que o primeiro-ministro chame a si a questão da decisão norte-americana de reduzir a presença na Base das Lajes, considerando estar perante "uma nuvem negra" nas relações com os Estados Unidos.

 

António Costa falava aos jornalistas após ter estado reunido cerca de uma hora com o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, encontro que decorreu na sede nacional do PS, em Lisboa.

Num encontro em que estiveram também presentes o ex-líder do Governo Regional dos Açores e atual presidente do PS, Carlos César, assim como o dirigente socialista Sérgio Sousa Pinto, António Costa criticou a atuação do Governo "neste enorme revés" da política externa portuguesa: "É uma matéria que deveria ter estado sempre na primeira linha das preocupações do senhor primeiro-ministro, e se ainda não o fez devia de imediato chamá-la a si, porque exige ser conduzida ao mais alto nível do Governo".

De acordo com o secretário-geral do PS, o Governo tem de explicar aos portugueses e na Assembleia da República "o que tenciona fazer relativamente aos Estados Unidos, em particular no que respeita à decisão unilateral tomada sobre a utilização da Base das Lajes".

"Está já pedida a comparência do Governo na Assembleia da República e é necessário que o Governo dê uma explicação cabal. Simultaneamente, o Governo tem também um dever para com a Região Autónoma dos Açores e deve trabalhar [com o executivo regional] para planear medidas cautelares que sejam necessárias se esta decisão for implementada, de forma a salvaguardar os interesses da região e, em particular, a situação social e económica da ilha Terceira", defendeu o líder socialista.

António Costa disse estar a acompanhar "com a maior preocupação" a decisão norte-americana de reduzir a sua presença na Base das Lajes, e considerou que essa mesma decisão de Washington introduz "uma nuvem negra" nas relações com os Estados Unidos e advogou que constitui "uma desvalorização" geoestratégica de Portugal.

"Lamentamos que o Governo também sobre esta matéria não tenha entendido que devia assegurar que o PS e os restantes partidos da oposição acompanhassem a par e passo o evoluir da situação. O Governo tem agora de explicar como chegámos até aqui e o que pretende fazer para se ultrapassar a atual situação", disse.

De acordo com o secretário-geral do PS, na questão da Base das Lajes, Pedro Passos Coelho "tem de chamar a si um dossiê, que é da maior importância", falando mesmo numa questão de soberania.

"Esta não é só uma questão regional, mas sim uma questão eminentemente nacional, porque está no centro da nossa relação com os Estados Unidos e porque se trata da sua desvalorização geoestratégia, da sua dimensão atlântica", declarou.

Neste contexto, António Costa defendeu depois que a problemática em torno da Base das Lages "é algo central para a afirmação de Portugal enquanto nação soberana, enquanto Estado e enquanto potência marítima e atlântica".

"É por isso fundamental que o senhor primeiro-ministro concentre a sua atenção nesta matéria", insistiu.

Questionado sobre qual é o caminho defendido pelo PS face ao futuro da Base das Lajes, o líder socialista disse que o seu partido "dará as sugestões quando o Governo entender que deve ouvir" o PS.

"O resultado deste processo é péssimo. Certamente, se o processo tivesse sido bem conduzido, o resultado não teria sido este. O Governo deve explicações aos portugueses, deve explicações no local próprio e deve também articular com o Governo Regional dos Açores e com o conjunto das forças políticas portuguesas o modo como responder, tendo em vista acautelar a situação económica e social na ilha Terceira", acrescentou.

 


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