Cortar em pacotes de açúcar do café e reformular alimentos pode ajudar Saúde

Cortar em pacotes de açúcar do café e reformular alimentos pode ajudar Saúde

 

Lusa/AO Online   Nacional   14 de Jan de 2016, 12:48

Cortar para metade a gramagem de açúcar nos pacotinhos que acompanham o café, reformular os alimentos em parceria com a indústria alimentar e educar nas escolas com ações para reduzir a sacarose são propostas da Direção Geral de Saúde.

Reduzir para três ou quatro gramas o açúcar contido nos atuais pacotes que costumam acompanhar os tradicionais cafés, e que trazem sete ou oito gramas, e só dar ao consumidor quando pedido é uma das medidas que a Direção Geral de Saúde (DGS) entregou no Ministério da Saúde, disse à Lusa o diretor do Programa Nacional de Alimentação Saudável, Pedro Graça.

Em entrevista telefónica à Lusa, o diretor do Programa Nacional de Alimentação Saudável, Pedro Graça, admitiu que foram entregues recentemente no Ministério da Saúde um conjunto de medidas para reduzir o açúcar na vida dos portugueses, medidas, essas que vão ter “baixos custos para as pessoas e para o Estado”.

Estabelecer parcerias com a restauração e a indústria alimentar para que sejam reformulados os produtos alimentares de forma a terem menos açúcar, como por exemplo, os cereais de pequeno-almoço, mas que pode ser repicado para outros alimentos é outra das propostas que chegaram ao Ministério da Saúde via DGS.

A restrição do acesso de açúcar às pessoas vai também ser feito através de ações de educação nas escolas e ações de sensibilização junto da população em geral, explicou Pedro Graça, da Faculdade de Ciências de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCAUP).

“As medidas de sensibilização e de educação alimentar a toda a população, em particular à população em idade escolar, a segunda medida é a reformulação dos produtos alimentares já hoje disponíveis e a continuação dessa reformulação para que eles contenham cada vez menos açúcar e, em terceiro lugar, a redução da quantidade de açúcar presente nos pacotes de açúcar que hoje são disponibilizados à população, a par de um aconselhamento para que esses pacotes não sejam disponibilizados de imediato e apenas a pedido dos consumidores”, defendeu Pedro Graça.

Segundo o diretor do Programa Nacional de Alimentação Saudável, Portugal é um “país guloso e um país salgado e, por isso é importante ter em conta de que não se conseguem mudar hábitos com séculos de um dia para o outro.

Por outro lado, defende Pedro Graça, “temos de ser firmes”, com “política continuada” que “não seja interrompida por impulso”.

“Tem de haver uma política, uma estratégia alimentar a médio prazo. Os países que conseguiram de facto ter impacto grandes na mudança do sal e na mudança do açúcar são países que tiveram medidas e estratégias a dez e 20 anos e tem de ser assim”, argumentou o diretor do Programa Nacional de Alimentação Saudável e professor e investigador na Universidade do Porto.

“Sabemos hoje, pela investigação científica que parece haver uma relação relativamente forte entre o consumo de açúcar e o aparecimento de algumas doenças, nomeadamente a cárie dentária, que está associada ao consumo de açúcar e que é um problema de Saúde Pública, e por outro lado está associado a um padrão alimentar com energia excessiva e o tipo de energia fornecido pelo açúcar está associado a doenças crónicas, entre elas a Diabetes Tipo 2”, explicou Pedro Graça.


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