Conselho de Ilha Santa Maria insatisfeito com partilha de escalas no aeroporto

Conselho de Ilha Santa Maria insatisfeito com partilha de escalas no aeroporto

 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Abr de 2015, 14:35

O Conselho de Ilha de Santa Maria manifestou-se hoje insatisfeita com os argumentos apresentados pelo presidente pelo Governo Regional para usar também o aeroporto da ilha Terceira para escalas técnicas, até aqui feitas apenas no aeroporto mariense.

O presidente do Conselho de Ilha de Santa Maria, Rui Arruda, falava após uma audiência com o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, em Santa Maria, solicitada por aquele órgão, para abordar a questão das escalas técnicas nos aeroportos da região.

“Os argumentos e os dados apresentados pelo Governo Regional diferem dos nossos. O impacto que o Governo regional vê neste assunto é diferente do impacto que nós vemos”, afirmou em declarações à Lusa.

Em março, o Governo Regional dos Açores pediu ao Ministério da Defesa e à ANA-Aeroportos para tomarem as "medidas necessárias" que permitam escalas técnicas noturnas de voos nos aeroportos das Lajes (ilha Terceira) e de Santa Maria.

A pretensão do executivo açoriano tem por base o plano de revitalização económica da ilha Terceira, que contempla um conjunto de medidas para tentar minimizar o impacto da redução do contingente dos Estados Unidos nas Lajes. Entre essas medidas está a redução em 50%, pelo Governo dos Açores, das taxas aeroportuárias da aerogare civil das Lajes, incluindo as taxas de assistência em escala.

O presidente do Conselho de Ilha de Santa Maria reiterou que o aeroporto mariense não pode deixar de ser o aeroporto de referência nos Açores para as escalas técnicas.

“Temos de continuar insatisfeitos porque o Governo regional tem um entendimento diferente do Conselho Ilha de Santa Maria em relação às nossas preocupações e mantém a intenção de manter aquilo que foi decidido”, disse, frisando que aquele órgão vai reunir, em data que não avançou ainda, para “analisar o assunto e decidir o que fazer”.

No entanto, Rui Arruda admitiu que, “muito provavelmente”, uma das medidas “passará pelo envio de uma carta ao Governo da República para que não adote aquilo que é proposto pelo Governo Regional em relação ao estatuto da Base das Lajes”.

Após a reunião, o presidente do Governo açoriano, Vasco Cordeiro, disse que a competitividade do aeroporto mariense “não foi afetada por aquilo que consta do plano de revitalização económica da ilha Terceira”.

Segundo dados estatísticos, o aeroporto de Santa Maria registou um crescimento de escalas técnicas de 8,9% entre 2013 e 2014, passando de 558 escalas para 608 e, em março deste ano, já com a medida em vigor para o aeroporto das Lajes, verificaram-se 65 escalas em Santa Maria, contra as 43 registadas no mesmo mês de 2014, o que se traduz num aumento de cerca de 50%.

“O Governo fez uma análise acautelando que não se retirava de uma ilha para outra”, sustentou Vasco Cordeiro, acrescentando que o executivo mantém “o compromisso para o desenvolvimento do aeroporto de Santa Maria” e de “fazer tudo” para que o potencial da infraestrutura “possa ser realizado e concretizado mesmo que noutras áreas”.

O presidente do Governo Regional apontou como exemplos de medidas tomadas recentemente o Centro de Formação Aeronáutica dos Açores, que contribuiu já com mais de 10 mil dormidas para a economia da ilha de Santa Maria, assim como a manutenção da 'gateway' de Santa Maria, no âmbito do novo modelo de transporte aéreo à Região.

Vasco Cordeiro referiu ainda que “não há nenhuma taxa aeroportuária que, por força do PREIT (Plano de Revitalização Económica para a Ilha Terceira), passe agora a ser mais baixa no aeroporto das Lajes do que no de Santa Maria”.


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