Companheira de Pidá acusa inspector da PJ de forjar provas

Companheira de Pidá acusa inspector da PJ de forjar provas

 

Lusa/Ao online   Nacional   20 de Dez de 2007, 06:49

A companheira de Bruno Pidá, Telma Sequeira, acusou hoje "um inspector da PJ", que nomeou, de ter tentado "forjar provas" contra o alegado líder do gangue da Ribeira do Porto, capturado domingo na operação "Noite Branca".
"Tentaram forjar provas contra o Bruno", afirmou Telma Sequeira, à porta do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, de onde Bruno Pinto, conhecido por Bruno Pidá, e outros três detidos saíram hoje em prisão preventiva no âmbito da operação "Noite Branca".

    Telma Sequeira disse que recebeu há cerca de três meses na caixa do correio um saco de plástico que tinha um telemóvel, onde encontrou uma mensagem de texto (sms), que atribuiu a um inspector da Polícia Judiciária, pedindo a "uma pessoa chamada Carlos", que disse não conhecer, para arranjar "uns chavalos [rapazes] de Valbom", Gondomar, que testemunhassem contra Bruno Pidá.

    O objectivo seria, segundo a companheira de Pidá, encontrar quem prestasse falsos testemunhos sobre "o caso do Mercedes preto", de onde, em 27 de Agosto, foram disparados os tiros que mataram o empresário Aurélio Palha.

    "Tenho essa prova muito bem guardada", frisou Telma Sequeira, salientando que Bruno Pidá "é um bode expiatório".

    A agência Lusa tentou obter um comentário às acusações por parte da Polícia Judiciária do Porto mas, dado o adiantado da hora, não havia ninguém disponível. Goraram-se também outras duas tentativas de contacto por telemóvel com responsáveis da Directoria.

    À saída do TIC/Porto, Fátima Castro, advogada de vários arguidos do processo "Noite Branca", confirmou que o único detido a quem não foi hoje aplicada a prisão preventiva, Sandro Onofre, saiu com termo de identidade e residência, acusado apenas de porte de arma proibida.

    O advogado Luís Vaz Teixeira, que defende Bruno Pidá mais cinco dos 11 detidos na operação "Noite Branca", disse à saída do TIC que ainda não sabe se vai recorrer da medida de coacção aplicada pela juíza Anabela Tenreiro.

    "Preciso de analisar a decisão com serenidade e seriedade", afirmou, salientando que Bruno Pidá continua a clamar inocência.

    "Muitas vezes não se fala daquilo que está por detrás das coisas mas sim do que se vê", disse Vaz Teixeira, invocando "questões éticas e legais" para não explicar o sentido das suas palavras.

    Questionado sobre se Helena Fazenda, procuradora do Ministério Público nomeada para este caso, revelou conhecimento profundo do processo, Vaz Teixeira respondeu: "Nem digo que sim nem digo que não".

    Helena Fazenda deixou o TIC/Porto cerca das 20:00, sem prestar declarações.

    Bruno Pinto (Pidá), Mauro Santos, Fernando Martins e Ângelo Miguel Ferreira foram hoje colocados em prisão preventiva na sequência das detenções, ocorridas domingo, no âmbito da operação "Noite Branca" desencadeada pela PJ/Porto.

    Segundo fonte judicial, Bruno Pinto foi acusado de dois crimes de homicídio voluntário (Aurélio Palha e Ilídio Correia), associação criminosa, tráfico de estupefacientes, receptação e posse de armas proibidas.

    O seu alegado braço direito, Mauro Santos, foi também acusado de associação criminosa, homicídio voluntário, tráfico de estupefacientes, receptação e posse de armas proibidas, o mesmo sucedendo a Fernando Martins, conhecido como "Beckham", e Ângelo Miguel Ferreira, conhecido como Timé.
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