Comissão de inquérito a transporte marítimo nos Açores sem acordo quanto a presidente


 

Lusa/AO Online   Regional   4 de Mar de 2015, 18:24

A primeira reunião da comissão parlamentar de inquérito ao transporte marítimo nos Açores foi esta quarta-feira interrompida por falta de entendimento entre PS e PSD em relação ao deputado que a vai presidir.

 

A comissão, proposta pela bancada do PSD, foi interrompida por duas vezes, depois de os deputados do PS (que têm maioria, tal como acontece no plenário do parlamento açoriano), chumbaram o nome indicado pelos social-democratas para presidir aos trabalhos, por não ser um deputado eleito pelas ilhas do chamado Triângulo (Faial, Pico e São Jorge).

"O PS entende que quem deve presidir à comissão deve ser alguém com conhecimento prático daquilo que é o transporte marítimo no triângulo. Alguém que, a presidir aos trabalhos, tenha essa sensibilidade em relação a um assunto tão importante", justificou Miguel Costa, deputado do PS, em declarações aos jornalistas.

No entanto, o PSD insistiu em indicar o nome de deputado João Bruto da Costa, eleito pela ilha Graciosa, para presidir à comissão de inquérito.

"Não há qualquer justificação de nenhum partido, muito menos do PS, para contrariar esta indicação do PSD", lamentou Cláudio Lopes, deputado social-democrata, para quem esta postura dos socialistas abre um "precedente no funcionamento do parlamento".

Os trabalhos da comissão estiveram interrompidos por duas vezes, na tentativa dos dois partidos chegarem a um acordo, o que não aconteceu.

A presidente da Assembleia Legislativa dos Açores, Ana Luís, decidiu, entretanto, convocar uma conferência de líderes parlamentares para tentar um entendimento sobre esta matéria.

A comissão volta a reunir na próxima semana, sendo composta por sete deputados do PS, quatro do PSD, um do CDS-PP e um do PCP.

Esta comissão foi constituída para “avaliar os resultados dos investimentos" nos portos do Faial, Pico e S. Jorge e da compra de barcos novos para o transporte de passageiros entre estas ilhas. Pretende ainda "averiguar as responsabilidades políticas" relacionadas com dois acidentes ocorridos em finais de 2014 em portos do Pico, num dos quais morreu uma pessoa.

Em novembro de 2014, um homem morreu na ilha do Pico a bordo de um barco de transporte de passageiros da empresa pública regional Transmaçor depois de ter sido atingido por um cabeço de amarração.

O cabeço rebentou no porto de São Roque do Pico quando o barco em que seguia a vítima tentava atracar.

Dias antes, outros dois cabeços de amarração haviam rebentado no porto da Madalena, igualmente na ilha do Pico, quando um barco da Transmaçor tentava atracar.

O relatório final da comissão de inquérito, a concluir no prazo de seis meses, deve ser remetido pela presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público.


   


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