Cirurgias não urgentes canceladas durante seis dias no hospital da Terceira

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O líder do CDS-PP/Açores disse que foram canceladas cirurgias no hospital da ilha Terceira devido a uma alegada falta de material, mas a unidade de saúde nega que tenha sido essa a causa desta situação.
 

 

"Alegadamente por falta de material apropriado e necessário, foram canceladas cirurgias no Hospital Santo Espírito da ilha Terceira quando os doentes já estavam internados ou até quando os doentes já se encontravam no bloco operatório para serem submetidos a cirurgia", referiu o líder centrista, em comunicado de imprensa.

Segundo Artur Lima, "alguns dos doentes que foram confrontados com esta situação inqualificável estavam deslocados da sua ilha de residência e terão regressado a casa sem serem operados".

Questionada pela Lusa, a presidente do conselho de administração do hospital, Olga Freitas, confirmou que foram canceladas 20 cirurgias não urgentes desde quarta-feira, acrescentando que já foram realizadas três e que as restantes foram ou estão a ser reprogramadas.

Olga Freitas rejeitou, no entanto, que as cirurgias tenham sido canceladas por falta de material, justificando que se tratou de uma medida de segurança devido a uma anomalia detetada no equipamento de esterilização.

"Era mais importante assegurar a segurança do doente do que evitar reduzir a produção", salientou, adiantando que não era uma situação previsível, pelo que não foi possível avisar os utentes com maior antecedência.

Segundo a presidente do conselho de administração do Hospital Santo Espírito, no final do ano passado foi feita uma revisão da autoclave que faz a esterilização a vapor do material cirúrgico e foi detetada uma caixa que deixava coloração nas luvas de látex.

Por precaução, o conselho de administração decidiu contratar uma empresa especialista na área para avaliar se havia alguma anomalia com o equipamento, requisitando posteriormente uma avaliação do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH).

Entretanto, o hospital solicitou aos outros dois hospitais dos Açores (Ponta Delgada e Horta) o envio de material esterilizado para garantir a realização de cirurgias urgentes.

"Não foi necessário transferir doentes para o hospital de Ponta Delgada. Todas as cirurgias urgentes foram realizadas nestes seis dias", garantiu Olga Freitas.

Segundo a presidente do conselho de administração do hospital, as cirurgias não urgentes foram retomadas na terça-feira, depois de o SUCH ter assegurado que não existiam riscos para os utentes.

Para o líder do CDS-PP/Açores, a situação é "desumana e violadora dos mais elementares princípios de respeito pelos utentes, da ética e da deontologia", representando um mau planeamento dos serviços hospitalares.

"As unidades de saúde devem prestar os mais adequados e melhores cuidados de saúde aos utentes do Serviço Regional de Saúde e, acima de tudo, o conforto e o respeito pelos doentes que já se encontram em situação de fragilidade e diminuídos nas suas capacidades", destacou.

A bancada parlamentar do CDS-PP apresentou um requerimento na Assembleia Legislativa da Região perguntando sobre o número de casos e sobre as razões objetivas dos cancelamentos.