Cine-Clube da Ilha Terceira organiza mostra de cinema português com nove filmes

Cine-Clube da Ilha Terceira organiza mostra de cinema português com nove filmes

 

Lusa/AO Online   Regional   23 de Nov de 2016, 10:28

O Cine-Clube da Ilha Terceira promove, esta semana, em Angra do Heroísmo, Açores, uma mostra de cinema português contemporâneo, com nove filmes, em alternativa a um festival internacional, para o qual não conseguiu financiamento.

“Não conseguimos da parte do Governo Regional, ao longo de dois anos, na área do Turismo, uma resposta que nos permitisse avançar com esse projeto”, disse, em declarações à agência Lusa, o presidente do Cine-Clube da Ilha Terceira, Jorge Paulus Bruno.

Segundo o responsável pela organização, a mostra Cine Atlântico resulta do aproveitamento dos apoios atribuídos pela Direção Regional da Cultura para a realização de um festival internacional com competição sobre os temas mar, ilhas, viagens e aventuras.

Jorge Paulus Bruno destacou a importância dos Açores terem um festival de cinema, alegando que o evento seria um grande acontecimento, não só do ponto de vista cultural, como turístico.

“O facto de se realizar aqui um festival internacional dessa dimensão e sobre este tema trará necessariamente muitas pessoas de fora”, frisou.

O dirigente lamentou que a tutela do Turismo não tenha sido “sensível a esse desejo, que se materializou numa candidatura a incentivos para financiamento”, à qual não obteve resposta, mas disse que vai insistir no projeto.

“Não desistimos e continuaremos a tentar conseguir os recursos financeiros necessários para um projeto desta natureza, porque temos a certeza e estamos convictos de que ele tem muito valor”, frisou.

Criado em 1977, o Cine-Clube da Ilha Terceira esteve vários anos inativo, retomando a sua atividade há cerca de quatro anos.

Desde então, a organização tem apostado sobretudo em extensões de festivais, como o Cine-Eco ou o Faca, exibições de filmes ao ar livre e ciclos de cinema nacional e europeu alternativo, conquistando progressivamente cada vez mais público.

Segundo Jorge Paulus Bruno, o Cine-Atlântico dá resposta ao principal objetivo do cine-clube, que é a formação de públicos, e procura desmistificar o preconceito existente sobre o cinema nacional, numa ilha em que os filmes portugueses praticamente não são exibidos.

“As pessoas têm uma certa aversão ao cinema português. Acham que é maçador, que é um cinema só para intelectuais. Todavia, a par de produções de menor qualidade, há produções muito boas. Veja-se a quantidade de prémios internacionais que produções portuguesas têm recebido”, salientou.

O Cine-Altântico decorre de quinta-feira a domingo e presta uma homenagem ao ator Nicolau Breyner, contando com a presença de quatro realizadores em Angra do Heroísmo: Paulo Filipe Monteiro, António-Pedro Vasconcelos, Marta Pessoa e António Borges Correia.

Na quinta-feira é exibido, em estreia nacional, “Zeus”, de Paulo Filipe Monteiro, um filme sobre o escritor e ex-Presidente da República Manuel Teixeira-Gomes, na sexta-feira, “Yvone Kane”, de Margarida Cardoso, que joga com a memória da pós-independência, num país africano, e “Os Imortais”, de António-Pedro Vasconcelos, com Nicolau Breyner, centrado em quatro ex-comandos e nos traumas da guerra colonial.

No sábado, está programada a exibição de “Cavalo Dinheiro”, de Pedro Costa, Leopardo de Melhor Realizador, no festival de Locarno (2014), um reencontro com Ventura, o imigrante cabo-verdiano de filmes anteriores do cineasta.

No mesmo dia passam “Montanha”, primeira longa-metragem de João Salaviza, dirigida na perspetiva de um adolescente, num dado momento da sua vida, e “O Medo à Espreita”, de Marta Pessoa, documentário com a memória dos que viveram sob a ameaça dos informadores da PIDE/DGS e da sua tortura, diariamente, durante a ditadura.

O festival termina no domingo com “O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu”, de João Botelho, “Os Olhos de André”, de António Borges Correia, história de reconstrução de uma família, melhor filme português no IndieLisboa 2015, e “Cartas da Guerra”, de Ivo M. Ferreira, assente na correspondência do escritor António Lobo Antunes, com a primeira mulher, durante a Guerra Colonial.

 


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