Cinco meses depois doenças aumentam agora "mais do que na altura do terramoto" do Haiti


 

Lusa / AO online   Internacional   12 de Jun de 2010, 19:47

No dia em que passam cinco meses do sismo que devastou o Haiti, um responsável português no terreno diz que as ajudas humanitárias estão “muito mal geridas” e que doenças estão a disparar “mais do que na altura do terramoto”.

Em declarações à agência Lusa, o comandante Nuno Lima, responsável da Associação Cinotécnica de Buscas e Salvamento, que está no terreno, relatou uma “situação caótica” no Haiti, sobretudo devido às chuvas intensas que se têm registado nas últimas semanas, o que tem feito disparar as doenças entre a população.

Cólera, malária e infeções respiratórias nas mulheres e crianças são os casos mais comuns, diz o comandante Nuno Lima, acrescentando que “ainda não há um surto de epidemias mas o grau de atendimentos médicos nas clínicas moveis está a disparar novamente, mais do que na altura do terramoto”.

Para Nuno Lima, tendo em conta “a quantidade de ONG [organizações não governamentais] que cá estão e os milhares de dólares que foram atribuídos pelos fundos internacionais, não se vê muito feito porque as pessoas têm fome, têm sede e não têm sítio para habitar”.

“Temos tido algumas queixas da população que está revoltada com esta situação, sobretudo desde que começaram as chuvas mais intensas. Infelizmente, as ajudas internacionais estão a ser muito mal geridas e muito mal coordenadas”, acrescentou o comandante.

A ACBS, em colaboração com o governo do Haiti e com duas ONG, formou, no Dia de Portugal, 50 homens haitianos, que vão agora constituir equipas de intervenção e catástrofe. Compostas por dez elementos cada uma, estas cinco equipas incluem um enfermeiro, um médico e técnicos de intervenção e resgate, adiantou Nuno Lima.

“São equipas que estão disponíveis 24 horas por dia. Há uma equipa de dez homens disponíveis todos os dias da semana para intervenção de catástrofe. Os cinco grupos são rotativos e estão todos sedeados um pouco acima do palácio presidencial”, explicou o comandante.

Formada a primeira equipa de intervenção do Haiti, arranca na segunda a formação de mais 600 polícias que serão depois distribuídos por todo o país, acrescentou o responsável.


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