Cimeira UE/África já começou em Lisboa

Cimeira UE/África já começou em Lisboa

 

Lusa   Nacional   8 de Dez de 2007, 11:25

Os trabalhos da II Cimeira EU/África,que decorrem em Lisboa a até domingo, começaram hoje com uma hora de atraso, iniciada com as palavras de boas vindas aos participantes feitas pelo primeiro-ministro português.
O primeiro-ministro, José Sócrates, abriu hoje a II Cimeira entre União Europeia e África, pedindo a todos os líderes "diálogo político frontal" e sublinhando que os direitos humanos são "património universal" e não apenas de um continente.
Na sua intervenção, o presidente em exercício da UE referiu-se especificamente ao drama humanitário no Darfur, à "grave situação" do Zimbabué e reiterou que a questão dos direitos humanos "será tema central" da II Cimeira entre União Europeia e África.
O chefe do Governo português lamentou que, após a I Cimeira entre UE e Africa, no Cairo, em 2000, tenha havido "sete anos" de impasse em termos de diálogo entre os dois blocos políticos.
"Esta situação não podia continuar e, por essa razão, a presidência portuguesa da UE decidiu inscrever o objectivo de realizar [uma segunda] cimeira com África entre as suas principais prioridades", disse.
Depois, o primeiro-ministro português referiu-se às correntes que, nos últimos meses, se manifestaram pessimistas sobre o resultado desta cimeira.
"Conheço as dificuldade, os temores e os cepticismos que esta cimeira gerou, mas, agora, é evidente que deu lugar a uma nova dinâmica, criando um movimento entre jovens, sindicalistas, homens de negócios e organização não governamentais dos dois continentes", apontou.
De acordo com o primeiro-ministro a II Cimeira entre UE e África deixou a todos "uma mensagem muito clara: não há mais tempo a perder na relação entre os dois continentes; é altura de construirmos soluções".
Sócrates sustentou em seguida que "a presença significativa [em Lisboa] de chefes de Estado e de Governo" europeus e africanos "provou que este era o momento certo" para se realizar esta iniciativa da presidência portuguesa da UE.
"Todos [os líderes políticos] estão aqui [em Lisboa] não para responder a um convite da presidência portuguesa da UE, mas para responder a uma desafio da história", sustentou.
Perante os líderes africanos e europeus, o primeiro-ministro português procurou também defender a ideia de que a cimeira terá "uma agenda ambiciosa" e mecanismos institucionais bem definidos para a sua aplicação a prazo.
"A nova estratégia exige um diálogo político com frontalidade, sem tabus e sem temas proibidos. O primeiro tema da nossa agenda é a paz e a segurança", tendo em vista responder a "dramas humanitários como o do Darfur", especificou o chefe do Governo português.
Outros temas destacados por Sócrates foram as alterações climáticas, o desenvolvimento sustentado - com a concretização dos Objectivos do Milénio - e as migrações, questão que relacionou directamente com a problemática dos direitos humanos.
"O problema das migrações foi o que mais sentiu a ausência de diálogo político e de cooperação entre Europa e África. Não podemos ficar indiferentes ao drama de uma imigração desesperada. Importa agora definir uma estratégia para favorecer a imigração legal, combater o tráfico de pessoas, promover a integração dos imigrantes e apoiar o desenvolvimento dos países de origem dos fluxos migratórios", apontou.
"A regulação dos fluxos migratórios é uma prioridade e é também um tema de direitos humanos", sustentou o presidente em exercício da UE.
No final da sua intervenção, Sócrates revelou aos chefes de Estado e de Governo presentes na cimeira que hoje é dia do aniversário do presidente do Gana e da União Africana, John Kufuor que recebeu uma prolongada salva de palmas.

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