CGTP/Açores acusa Lotaçor de "gestão incapaz"

CGTP/Açores acusa Lotaçor de "gestão incapaz"

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   21 de Fev de 2017, 16:24

A CGTP/Açores disse que a "situação financeira e futuro" da Lotaçor está a "preocupar" os cerca de 350 trabalhadores do serviço de lotas da região e denunciou uma "gestão incapaz", acusação negada pela empresa.

 "O prejuízo do grupo Lotaçor foi de 3,9 milhões de euros em 2015, mais 169 mil euros comparativamente ao exercício anterior, o que foi determinante para o agravamento da situação de falência técnica do grupo", disse o coordenador da CGTP/Açores, Vítor Silva, destacando que "a dívida financeira consolidada era de 39,6 milhões de euros" no final de 2015.

Em conferência de imprensa, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Vítor Silva classificou como "deplorável a situação financeira" da Lotaçor.

"Quando é conveniente a administração da empresa escreve aos trabalhadores e aos sindicatos a dizer que está imperativamente proibida, pelo Orçamento do Estado, de atribuir valorizações remuneratórias, no entanto, quando bem entende viola o mesmo princípio", declarou o sindicalista, exemplificando com a admissão de funcionários para cargos, cuja ocupação é vedada aos restantes trabalhadores.

Segundo o responsável, os trabalhadores da Lotaçor sentem-se "indignados e revoltados" pela gestão de recursos humanos em prática na empresa que deverá "pautar pela transparência, justiça e igualdade", frisando que se trata de uma empresa "com capitais 100% públicos em que o único acionista é a região".

"São dadas instruções para a transferência de local de trabalho de trabalhadores que, por um motivo ou por outro, se tornaram incómodos. Isto é feito sem qualquer justificação de serviço e dando origem a encargos financeiros e a ineficiências suplementares", adiantou.

Para o sindicalista, "é tempo de avaliar a gestão do setor público empresarial regional, de responsabilizar os gestores pelos resultados que são obtidos, de premiar quem desempenha bem as funções que lhe forma conferidas e de penalizar os que não o fazem".

À Lusa, a Lotaçor rejeita as acusações, que classifica como "falsas e infundadas".

A empresa acrescenta que os números indicados pela CGTP/Açores "sobre endividamento consolidado e sobre o número de trabalhadores" não se referem individualmente à Lotaçor, mas ao grupo, "composto pela empresa-mãe e pelas suas participadas".

"O endividamento existente na Lotaçor deve-se a investimentos realizados em benefício de infraestruturas de apoio ao setor das pescas, como lotas, entrepostos, casas de aprestos, rede de frio, equipamentos de alagem e demais infraestruturas e equipamentos de apoio ao setor", adianta a presidente do conselho de administração da Lotaçor, Cíntia Reis Machado.

A responsável garante, ainda, ser "totalmente falso que existam dois critérios relativos a valorizações remuneratórias".

A CGTP/Açores anunciou ainda que apresentar uma proposta para a criação de "uma frente comum" com todos os sindicatos que representam trabalhadores do setor público empresarial regional, nomeadamente da transportadora aérea SATA, Empresa de Eletricidade dos Açores, açucareira Sinaga e Lotaçor.

O objetivo é elaborar um documento com a caracterização do setor público empresarial e propostas para remeter às empresas e Governo dos Açores.

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