Cessar-fogo da ETA resulta de pressão de independentistas que querem solução pacífica


 

Rui Cabral   Internacional   5 de Set de 2010, 13:46

O presidente do Observatório de Segurança considerou hoje que o anúncio do cessar-fogo da ETA é um "momento muito importante para Espanha" e representa uma "vitória" da linha independentista basca que quer uma solução pacífica para o problema.

Em declarações à agência Lusa, José Manuel Anes referiu que este cessar fogo "resulta não da vontade da direção militar da ETA, que é jovem e radical, mas da enorme pressão exercida" nos últimos tempos pelos membros e simpatizantes da ETA que querem uma "solução pacífica, recusando a via militar".

José Manuel Anes enfatizou que "é um momento muito importante para Espanha", mas também para a Europa e o mundo porque cessa um conflito armado que já "não fazia sentido", numa altura em que o país basco, à semelhança da Catalunha, já possui grande autonomia.

Na opinião de José Manuel Anes, especialmente os "veteranos" da ETA estão "fartos" do conflito armado e também há muitos simpatizantes do movimento separatista basco a pressionar a direção militar da ETA para haver "negociações políticas".

A direção militar da ETA sempre recusara esta solução, embora admitisse negociar, mas sem abdicar das ações armadas.

Questionado sobre se, desta vez, há mais condições para que o processo negocial tenha sucesso, uma vez que em anteriores ocasiões houve o regresso à luta armada, o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) disse estar convencido de que sim, porque é isso que a maioria dos membros e simpatizantes da ETA pretendem neste momento.

Observou contudo que "é um processo negocial que vai começar" e que é preciso esperar a sua evolução.

A ETA anunciou hoje um cessar-fogo numa mensagem que foi transmitida pelo grupo de comunicação social britânico BBC.

No vídeo, a ETA anuncia que “não levará a cabo ações armadas”.

Esta decisão, segundo o site da BBC, terá sido tomada “há alguns meses” com vista a “pôr em marcha um processo democrático”.


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