Cerca de 700 pessoas vítimas de violência acompanhadas este ano nos Açores

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Quase 700 vítimas de violência doméstica estão a ser acompanhadas este ano nos Açores, segundo dados provisórios da Secretaria Regional da Solidariedade Social disponibilizados hoje à agência Lusa.
 

 

Segundo a tutela, dos 699 processos em acompanhamento, a esmagadora maioria – 670 – reporta-se a mulheres, destacando-se a ilha de São Miguel, a maior do arquipélago, com 312 casos e, logo depois, o Faial, com 102 casos.

Aos jornalistas, a secretária regional da Solidariedade Social dos Açores, Andreia Cardoso, que hoje, Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, presidiu à reunião da Rede Alargada de Apoio Integrado à Mulher em Situação de Risco de São Miguel, referiu que em 2016 a região vai terminar “com uma nova diminuição” dos casos de violência doméstica.

“No Relatório [Anual de Segurança Interna] de 2015 conseguimos ser a região que mais decresceu em termos de número de sinalizações, o que para nós foi importante e animador, sendo certo que não estamos ainda satisfeitos”, afirmou Andreia Cardoso, na Fajã de Baixo, concelho de Ponta Delgada.

Segundo a governante, “da sensibilidade que foi manifestada pelas instituições, designadamente os hospitais, os centros de acolhimento ou quem trabalha com as vítimas e agressores, a tendência é de diminuição”, referindo, contudo, que o fenómeno da violência doméstica continua a preocupar o executivo regional.

“Por isso, há dez anos foi criada esta Rede de Apoio à Mulher Vítima em São Miguel e foi sendo feito um trabalho consistente ao longo dos últimos anos, com a dinamização dos polos em cada uma das ilhas dos Açores, que tem permitido um apoio à vítima integrado”, explicou.

Neste âmbito, Andreia Cardoso apontou o acolhimento de emergência e o apoio psicológico e jurídico, não apenas às vítimas diretas de violência, como também aos seus dependentes.

Para a responsável, “é todo este trabalho integrado com as instituições particulares de solidariedade social da região ou outras áreas da governação que tem permitido promover uma redução substancial do número de casos ao longo dos últimos anos”.

A governante adiantou ainda que a eventual criação de mais espaços de acolhimento para vítimas de violência doméstica “não é um problema emergente”, referindo que a região tem 14 espaços de acolhimento nas nove ilhas.

Segundo dados da secretaria, que cita o Relatório Anual de Segurança Interna de 2015, os Açores e a Madeira têm “as taxas mais elevadas de violência doméstica, onde em cada 1.000 pessoas, 3.9 são vítimas deste crime”.

“Importa salientar a diminuição, em relação a 2014, em 10,8% das ocorrências registadas pelas forças de segurança, a redução mais acentuada do país, bem como referir que esta diminuição tem sido contínua ao longo dos últimos anos”, acrescenta.

De acordo com o mesmo relatório, em 2013 houve na região 1.112 ocorrências de violência doméstica, 1.079 no ano seguinte e 963 em 2015.