CDS lamenta que os Açores não consigam captar recursos humanos qualificados

CDS lamenta que os Açores não consigam captar recursos humanos qualificados

 

Lusa/AO Online   Regional   8 de Set de 2016, 17:00

A deputada do CDS no parlamento dos Açores Ana Espínola lamentou hoje que o Governo Regional, do PS, não tenha conseguido transformar a região num "polo catalisador de recursos humanos qualificados".

Numa declaração política feita no plenário da Assembleia Regional, o último antes das eleições legislativas de 16 de outubro, a deputada centrista acusou o executivo de "incapacidade" para ultrapassar várias "limitações" que afetam os açorianos, mesmo passados 40 anos de autonomia.

"É paradoxal que, apesar de todo o desenvolvimento verificado, a região não consiga ser um polo catalisador de recursos humanos qualificados, como era desejável, e as nossas gentes sintam, cada vez mais, a necessidade de migrar para outros destinos em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida", referiu.

No entender de Ana Espínola, "é imperioso lutar contra esta desertificação humana, que novamente se verifica" em algumas ilhas, como é o caso de São Jorge, pela qual foi eleita e que por causa de perda de população também vai perder representatividade política na próxima legislatura.

Num breve balanço ao trabalho efetuado pelo executivo regional, a deputada centrista concluiu que a governação de Vasco Cordeiro "foi turbulenta".

"O PS viu-se embrulhado em várias crises na agricultura, nas pescas, teve problemas nos transportes, na saúde e tentou disfarçar com pensos rápidos, mas sem sucesso, os péssimos resultados do sistema de ensino", lamentou.

Ana Espínola reconheceu, por outro lado, que a taxa de desemprego diminuiu nos Açores, mas considerou que isso foi conseguido não à custa de "emprego efetivo, duradouro e sustentável", mas sim da entrada de "milhares de açorianos" em programas ocupacionais.

A deputada centrista, que não irá recandidatar-se nas próximas eleições, emocionou-se no final da sua intervenção, depois de ouvir os elogios e os aplausos dos restantes deputados em relação ao seu desempenho parlamentar.

Apesar disso, a secretária regional adjunta da Presidência para os Assuntos Parlamentares, Isabel Rodrigues, não deixou passar em claro as críticas de Ana Espínola, afirmando que o Governo não partilha da sua perspetiva sobre o desempenho do executivo.

"Este Governo tem a consciência de tudo ter feito, de ter usado todos os seus recursos e competências para responder aos enormes desafios que enfrentou ao longo destes quatro anos", insistiu Isabel Rodrigues.

António Marinho, deputado do PSD, concordou com as preocupações e a visão crítica do CDS sobre o desempenho do executivo, apontando que ao fim de 20 anos de governação socialista os Açores continuam a registar "a maior taxa de abandono escolar precoce do país" e a "mais alta taxa de incidência do Rendimento Social de Inserção".

José San-Bento, da bancada socialista, ressalvou, no entanto, que este foi um governo "reformista", "dialogante" e "anti-austeridade", recordando que, quando o Governo da República do PSD/CDS cortava nos vencimentos ou nas pensões, o executivo açoriano compensava esses cortes.

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