Cavaco Silva defende mais cooperação entre empresas para aproveitar potencial da inovação

Cavaco Silva defende mais cooperação entre empresas para aproveitar potencial da inovação

 

Lusa/AO Online   Economia   3 de Out de 2012, 08:35

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, convidou hoje os empresários nacionais a porem de lado os egoísmos empresariais, apostando numa maior cooperação entre empresas e destas com as universidades, para aproveitar o potencial da inovação.

"Nunca Portugal precisou tanto da iniciativa privada, dos empresários portugueses, dos gestores das empresas portuguesas", afirmou Cavaco Silva em Madrid, frisando que as empresas devem favorecer a cooperação.

"Precisamos verdadeiramente que os motores da nossa economia, exportação, investimento, turismo, sejam acionados de forma dinâmica pelos empresários portugueses", disse.

Cavaco Silva falava num pequeno-almoço com os empresários portugueses que hoje participam, no Palácio de El Pardo, nos arredores de Madrid, na oitava reunião da COTEC – Associação Empresarial para a Inovação, dedicado à inovação e às pequenas e médias empresas.

O chefe de Estado considerou que os empresários portugueses devem estar "atentos às infraestruturas e aos talentos dos jovens", para assim poderem fazer um "progresso no domínio da inovação.

Por isso, apelou, os empresários devem aproveitar o facto de Portugal ser hoje um país "dotado de um sistema científico com boas infraestruturas, no domínio da nanotecnologia, da tecnologia de informação, da energia, ou da biotecnologia".

Ainda que se tenha avançado na aproximação entre empresas e universidades e laboratórios, Cavaco Silva considera que "ainda se está longe do que seria desejável" e que ainda se pode avançar também na cooperação entre empresas, especialmente no papel de apoio das grandes às pequenas e médias empresas (PME).

"Estudos revelam que o sucesso da inovação é maior quando existe cooperação a todos os níveis, incluindo entre empresas. Essa cooperação contribui também para a partilha de riscos e pode facilitar as apostas de investimento", disse.

Nesse quadro, afirmou o chefe de Estado, pode até ser possível, apesar da conjuntura atual, "antecipar algumas decisões de investimento, o que não deixaria de ser positivo para o país, principalmente tendo em conta a produção de bens transacionáveis".

O Presidente alertou ainda para o facto de a capacidade produtiva instalada "poder não ter condições para responder a pedidos de novos clientes ou satisfazer as ambições de empresários portugueses que querem penetrar em novos mercados".

"Por isso é altura de pensar cuidadosamente na realização de investimento, especialmente no domínio dos bens transacionáveis", afirmou.

Destacando a elevada presença de empresários portugueses no encontro de Madrid, Cavaco Silva sublinhou que, hoje como nunca, o setor empresarial é "crucial para que Portugal consiga encontrar um caminho de recuperação económica".

"Tomam decisões de investimento, produzem os bens transacionáveis que são exportados ou substituem as importações. São os empresários que contratam trabalhadores, que arriscam e procuram dar um contributo decisivo para que Portugal volte a trajetórias de crescimento económico e de criação de emprego que todos desejamos", sublinhou.

"E é sabido que, nos tempos que correm, o sucesso das empresas está cada vez mais ligado à transformação do conhecimento e das tecnologias em mais produtividade e mais competitividade", disse.

Cavaco Silva reiterou a mensagem de que a inovação "é um fator decisivo para a produtividade, para a competitividade das empresas e, consequentemente, para o desenvolvimento económico do país".

"Estas são metas cruciais para o país e nós contamos com apoio e o envolvimento ativo dos empresários para que as possamos alcançar", disse.

Finalmente, às grandes empresas, já internacionalizadas, Cavaco Silva apelou à sua "interação com as PME inovadoras", ajudando-as na sua própria internacionalização.

"Nos tempos que correm não é nada fácil às empresas encontrarem meios financeiros disponíveis para apostar na inovação. Daí a importância do apoio púbico à inovação e também o aproveitamento eficaz dos apoios europeus à inovação", sublinhou.

Finalmente, e por estar em Espanha, Cavaco Silva deixou ainda uma mensagem de estímulo à exportação para este mercado, principal destino das exportações nacionais - 4.000 empresas e 22 por cento do total.

Para isso, defendeu mais cooperação com empresários espanhóis e um "esforço adicional" dos empresários e empresas portuguesas.

A comitiva presidencial desloca-se agora para o Palácio de El Pardo, nos arredores da capital espanhola, onde Cavaco Silva presidirá, com o rei espanhol Juan Carlos e o presidente italiano Giorgio Napolitano, à reunião da COTEC.

O encontro é dedicado ao debate sobre o papel da inovação das PME e conta com a intervenção de empresários e responsáveis dos três países e ainda da União Europeia.


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