Canadá e EUA seriam os mais prejudicados se não houvesse migrações

Canadá e EUA seriam os mais prejudicados se não houvesse migrações

 

Lusa/Açoriano Oriental   Economia   22 de Abr de 2017, 16:00

O diretor do departamento de 'ratings' soberanos da agência de notação financeira Fitch alertou para a importância das migrações para o desenvolvimento económico, principalmente para a força de trabalho no Canadá e nos Estados Unidos.

 

"Os efeitos das migrações são evidentes quando se compara a variação média da força de trabalho com as projeções que incluem uma migração zero sobre as populações em idade de trabalho [14 a 65]", explica o diretor do departamento de análise dos 'ratings' soberanos da Fitch.

Num artigo de análise dos principais temas em debate público, geralmente publicado mensalmente, James McCormack pormenoriza que "as diferenças mais dramáticas em 2100 são no Canadá, onde há um aumento de 11% da população em idade laboral contra um declínio de 43% caso não haja migrações, os EUA (um aumento de 20% versus um declínio de 16%) e o Reino Unido, onde existiria um aumento de 9% contra um declínio de 20%".

A consequência, conclui o analista, "é que as taxas de crescimento económico a longo prazo nestes países serão provavelmente dramaticamente mais baixas em caso de ausência de imigração".

O analista da Fitch utiliza o modelo de crescimento populacional utilizado pelas Nações Unidas, um modelo que assume que os níveis atuais de migrações vão manter-se até 2045 a 2050, e depois decair gradualmente para um total de 50% até final do século.

"Em 2050, a população mundial em idade de trabalho deverá aumentar 26%; nas economias avançadas, a 'população laboral' diminui 5% com imigração, e 15% sem imigração", acrescenta.

"As migrações internacionais são uma maneira importante de os países com perspetivas de evolução de migrações diferentes poderem estar, de alguma forma, mais alinhados", argumenta o analista, que enfatiza que "as pressões políticas associadas à migração internacional são evidentes em muitas economias", mas arriscam-se a "levar a mudanças políticas que podem ter consequências económicas desfavoráveis a médio prazo".

Assim, conclui, "as medidas políticas protecionistas tomadas ostensivamente para reter empregos e promover melhores oportunidades económicas para os residentes vão provavelmente resultar num crescimento económico mais fraco e níveis de rendimento nacional mais baixos com o passar do tempo", nomeadamente no Reino Unido e nos Estados Unidos, "que dependem de uma imigração contínua nos próximos anos para evitar o declínio da 'população laboral' e um crescimento económico mais lento".

A redução da entrada de estrangeiros nos Estados Unidos, no seguimento das restrições impostas pelo novo Governo norte-americano, já teve um efeito prático e muito mediático: na semana passada, a maior transportadora aérea mundial anunciou a redução de vários voos do Médio Oriente para os EUA atribuindo essa decisão empresarial precisamente às políticas aprovadas por Donald Trump.


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