Bruxelas prevê que economia europeia prossiga retoma em ritmo lento

Bruxelas prevê que economia europeia prossiga retoma em ritmo lento

 

Lusa/AO online   Economia   5 de Nov de 2015, 10:50

A Comissão Europeia manteve as previsões de uma retoma lenta da economia europeia, projetando um crescimento no próximo ano de 1,8% na zona euro e de 2,0% na UE, valores ligeiramente abaixo daqueles antecipados na primavera.

As previsões económicas de outono hoje divulgadas pelo executivo comunitário, muito em linha com as da primavera, há seis meses, apontam para que a Europa prossiga até 2017 (o horizonte das projeções) uma recuperação económica tímida, sempre a um ritmo moderado: na zona euro, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deverá cifrar-se nos 1,6% em 2015, nos 1,8% no próximo ano e nos 1,9% em 2017, enquanto no conjunto da UE os valores deverão ser de 1,9%, 2,0% e 2,1%, respetivamente.

Comparativamente às previsões da primavera, de maio passado, Bruxelas “retira” uma décima às projeções de crescimento para 2016 tanto na zona euro (na primavera previa 1,9%) como na UE (era de 2,1%), mas acrescenta uma décima às previsões para 2015 (antes projetava crescimentos de 1,5 e 1,8%, respetivamente).

Como fatores positivos para a retoma, a Comissão aponta o contexto de baixa do preço do petróleo, de uma política económica monetária “acomodatícia” e de um valor externo do euro “relativamente fraco”, mas adverte, por outro lado, que “o impacto de fatores positivos está a esbater-se, enquanto surgem novos desafios, tais como um abrandamento nas economias de mercado emergentes e no comércio global”, assim como as “tensões geopolíticas persistentes”.

Entre as principais economias europeias, a Comissão Europeia reviu hoje em baixa as perspetivas de crescimento da Alemanha, apontando para uma subida do PIB este ano de 1,7%, menos 0,2 pontos percentuais do que o estimado em maio (1,9%), e de 1,9% nos próximos dois anos.

Segundo Bruxelas, o crescimento na Alemanha está a ser apoiado num mercado de trabalho favorável e em condições financeiras subjacentes à procura doméstica, já que pela parte da exportação tem havido uma fraca procura dos mercados emergentes, sendo também apontados riscos de um revisão em baixa no futuro associados à fraude nas emissões poluentes de automóveis da Volkswagen.

Para França, as perspetivas também não são as mais animadoras, com Bruxelas a rever em baixa as previsões de crescimento para o próximo ano, que agora situa nos 1,4% do PIB, quando na primavera estimava que atingisse os 1,7%.

Para Espanha, Bruxelas projeta um crescimento significativo, de 3,1% do PIB, este ano (acima da projeção de 2,8% na primavera), que vai "desacelerar suavemente" para 2,7% em 2016 e 2,4% em 2017, mas ainda a "níveis robustos", e com o emprego a crescer.

Já em Itália, a Comissão espera que este ano se assista finalmente a uma retoma, com um crescimento de 0,9% este ano, recuperando da queda de 0,4% de 2014.

Quanto a outros países que estão ou estiveram sob programa de assistência financeira, as projeções da Comissão são opostas para Grécia e Irlanda, com Bruxelas a estimar que Atenas vai fechar o ano em recessão, apontando o dedo à "crescente incerteza" gerada pelo falhanço do programa de assistência, o referendo de junho último, o fecho dos bancos e o controlo de capitais, enquanto a Irlanda deve conhecer uma excecional retoma (crescimento de 6% este ano, 4,5% em 2016 e 3,7% no ano seguinte), fruto de “anos de ajustamento bem-sucedido”.


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