BPN e crise agitaram debates de 2010, pós-troika deve marcar os de agora

BPN e crise agitaram debates de 2010, pós-troika deve marcar os de agora

 

Lusa/AO Online   Nacional   30 de Dez de 2015, 09:13

Os debates televisivos de 2010 entre os então candidatos à Presidência da República foram dominados pelo BPN, e alegadas ligações de Cavaco Silva à entidade, e o período de crise que Portugal vivia, ainda antes da chegada da troika.

 

Nos debates nos canais de televisão que arrancam no primeiro dia de 2016 e com vista a eleger um novo chefe de Estado, é de esperar que cheguem à discussão matérias como o sistema financeiro - nomeadamente os casos em torno do BES/Novo Banco e Banif -, o executivo do PS viabilizado no parlamento ou ainda outros pontos sempre enquadrados num período em que Portugal está fora do programa de ajustamento da troika.

A 29 de dezembro de 2010 deu-se o último debate rumo às presidenciais de janeiro de 2011, que dariam o segundo mandato a Cavaco Silva: nessa data, defrontaram-se precisamente Cavaco - apoiado por PSD, CDS-PP e MEP - e Manuel Alegre, então apoiado pelo PS, Bloco de Esquerda e PCTP/MRPP.

Na altura, o primeiro "frente-a-frente" televisivo foi entre o independente Fernando Nobre e o candidato apoiado pelo PCP e pelos Verdes, Francisco Lopes.

Dando o mote para os frente-a-frente que se seguiram, a economia ocupou parte central da primeira discussão televisiva.

No segundo debate foi altura do confronto entre Manuel Alegre e Defensor Moura, com os dois socialistas a convergirem nas críticas a Cavaco Silva, que se recandidatava a um segundo mandato em Belém, nomeadamente por ainda não ter "dado uma palavra contra a pressão" dirigida a Portugal por entidades internacionais, isto antes de chamada a ‘troika'.

Nesse frente-a-frente, o deputado socialista Defensor Moura, que concorreu às eleições como independente, introduziu no debate o caso do BPN, acusando Cavaco Silva de ter "pouca moral para apontar o dedo aos outros".

As acusações subiram depois de tom quando Defensor Moura e Cavaco Silva se encontraram, naquele que acabou por ser o debate mais tenso de todos, que terminou com Cavaco a afirmar-se alvo de uma "campanha suja" a propósito do BPN, em resposta ao então deputado socialista, que o acusou de "pactuar com negócios ilícitos".

Os apoios de cada candidato foram também alvo de discussão, principalmente entre Manuel Alegre, Fernando Nobre e Defensor Moura, com o antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo a admitir que apostava nos que não se reviam no candidato apoiado à época pelo PS e pelo BE, Alegre.

Fernando Nobre, que classificou a sua candidatura como a única "suprapartidária", sublinhou o seu percurso profissional enquanto médico e presidente da AMI e enalteceu a sua experiência em cenários de guerra e catástrofe.

Foram realizados em dezembro de 2010 dez debates televisivos para as presidenciais de 2011, número inferior ao deste ano, representativo também do menor número de candidaturas de então.

Ao boletim de voto de 2011 chegaram seis candidatos: Cavaco Silva, Manuel Alegre, Fernando Nobre, Francisco Lopes, José Manuel Coelho e Defensor Moura.

Em 2016, para o sufrágio de janeiro, são dez os concorrentes, cujas candidaturas foram admitidas pelo Tribunal Constitucional.

 

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