Bispo aponta solidão dos idosos como a maior pobreza

Bispo aponta solidão dos idosos como a maior pobreza

 

LUSA/AO Online   Nacional   24 de Jan de 2015, 15:21

O bispo da Diocese de Bragança-Miranda alertou hoje que "a maior pobreza e necessidade" com que se tem deparado é a solidão dos idosos que não se resolve apenas com dinheiro sem a atenção a comunidades locais.

“Isso não se resolve apenas com dinheiro, o dinheiro é importante, mas há muito mais vida para além do dinheiro e há muito mais sentido a dar à vida das pessoas”, defendeu, à margem de um encontro que promoveu hoje, em Bragança, com os jornalistas para assinalar o dia do padroeiro da classe, São Francisco de Sales. O mais jovem bispo de Portugal chamou a atenção para o papel da sociedade e da necessidade de uma postura mais fraterna em relação ao vizinho ou à família, e de quantas vezes as pessoas até contribuem “- e bem para uma campanha mundial”, mas esquecem “aquele que está ao lado e que até pode ser família”. Nos mais de três anos que leve à frente da diocese, José Cordeiro já visitou 119 paróquias, 357 comunidades e espera, no próximo ano, concluir a visita às 326 paróquias e às 634 comunidades. Nestas visitas pastorais contacta com as pessoas e afirmou que tem constatado que “se por um lado há os bens materiais que podem ir ao encontro das necessidades reais das pessoas, por outro lado há muito a fazer porque a maior necessidade e a maior pobreza é a solidão, é o isolamento é até a falta de sentido para a vida”. O prelado ressalvou que existem respostas sociais, quer por parte da Igreja, quer de outras instituições, mas entende que “ainda não são suficientes porque basta percorrer as aldeias e, sobretudo as mais pequenas da nossa diocese e do nosso distrito para ver com os próprios olhos e entender o quanto há ainda a fazer”. José Cordeiro citou a recente mensagem do papa Francisco para alertar para a necessidade de todos estarem “atentos a todos os elementos da família, aos mais idosos, aos mais pequenos, aos mais frágeis, a todos aqueles que precisam” de um sorriso, de uma palavra ou apenas da presença de alguém. “Esta cultura do descartável, a mim tem-me mexido muito porque de facto nós olhamos às condições e falamos até da qualidade de vida, mas esquecemos as pessoas (…) no fundo estamos a percorrer o mesmo caminho que percorrem os políticos e os economistas que põem no centro o lucro e não os valores e não a pessoa”, declarou. O bispo lamenta ainda as situações daqueles que “são remetidos para aquelas casas de acolhimento”, algumas das quais “são depósito de idosos ou são uma cadeia de idosos onde falta o essencial, que é o amor, a alegria de viver”. “E por melhores condições que tenham e algumas até estão equipadas parecem uns hotéis, mas não têm o essencial da vida”, insistiu. José Cordeiro defendeu que o caminho para alterar esta situação é o da fraternidade, mas alertou que “é longo, porque há muitos interesses instalados e, sobretudo no campo da ação social, a economia social pode levar os mais distraídos a olhar aquilo como uma empresa e deixar de ser uma casa onde tem pessoas que precisam da ajuda não apenas material, mas espiritual.

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