BE/Açores diz que a incineradora da ilha Terceira está "sobredimensionada"

BE/Açores diz que a incineradora da ilha Terceira está "sobredimensionada"

 

Lusa/AO Online   Regional   26 de Jan de 2016, 18:20

O coordenador do BE/Açores Paulo Mendes criticou hoje a construção de uma "megaincineradora" na ilha Terceira, alegando que não atingirá a capacidade de processamento prevista, mas a empresa gestora sustenta que a estrutura poderá receber resíduos do aterro intermunicipal.

"Tal como alertámos, a incineradora só não será um elefante branco se a Teramb [Empresa Municipal de Gestão e Valorização Ambiental da Ilha Terceira] fizer batota e passar a queimar resíduos recicláveis e, neste caso, o apetite será muito direcionado para o plástico, com o evidente prejuízo para o cumprimento da meta da reciclagem até 2020", frisou Paulo Mendes, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

Para o dirigente bloquista, a incineradora da ilha Terceira, que custou cerca de 30 milhões de euros, está "sobredimensionada", porque prevê processar por ano 35 mil toneladas de resíduos das ilhas dos grupos central e ocidental (Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo), mas essas ilhas produzem 66 mil toneladas por ano.

Segundo Paulo Mendes, uma estimativa feita pelo Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores previa que dessas 66 mil toneladas 36% seriam biorresíduos, ricos em água e logo preferíveis para compostagem, 14% seriam papel e cartão, 12% plástico e 10% vidro.

"Estamos aqui em falar em 72% destas 66 mil toneladas de resíduos produzidos por ano que podem ser tratadas de outra forma que não por incineração", frisou.

O administrador da empresa municipal, Paulo Monjardino, contrapõe números diferentes e lembra que a central de valorização energética poderá processar também parte dos resíduos depositados em bolsas no aterro intermunicipal.

Segundo Paulo Monjardino, por ano, a Teramb estima receber só da ilha Terceira 25 mil toneladas de lixo doméstico, o que neste momento se encontra abaixo das estimativas, prevendo processar ainda oito mil toneladas de resíduos animais, três mil de resíduos de mobiliário e uma a duas mil toneladas de resíduos não perigosos.

No entanto, se a quantidade de resíduos produzidos na Terceira e nas restantes ilhas dos grupos central e ocidental não for suficiente para garantir a capacidade de processamento anual prevista, que é de 40 mil toneladas, há a possibilidade de se processar entre cinco a oito mil toneladas por ano do passivo do aterro, de acordo com o administrador da Teramb.

Segundo Paulo Monjardino, só 40% dos resíduos depositados em bolsas, estimados em cerca um milhão de toneladas no total, dariam para alimentar a central de valorização de resíduos durante 10 anos.

Para o colíder do BE, o Governo Regional e as autarquias da ilha Terceira deveriam ter optado por uma "microincineradora", com capacidade de processamento mais reduzida, coadjuvada a montante por uma unidade de tratamento mecânico e biológico, no entanto, o administrador da Teramb considerou que essa opção era "insustentável económica e financeiramente".

Segundo Paulo Monjardino, o tratamento mecânico e biológico tem um "aproveitamento baixo", na ordem dos 15%, o que obrigaria à criação de bolsas para o material rejeitado.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.